segunda-feira, 3 de novembro de 2008

"I HAVE A DREAM..."



A apenas um dia das eleições, os mais recentes levantamentos indicam uma margem de cerca de 10% entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, em favor do primeiro. Traduzido em votos no "colégio eleitoral", Obama lidera em 6 de 8 Estados-chave.

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Os anti-americanistas podem chiar à vontade, mas aquele país, a despeito de seus muitos defeitos, é uma verdadeira NAÇÃO.
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ATUALIZAÇÃO (04/11/08 às 11:15 hs.)
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Iniciado o processo de votação, vai aqui um pouco do feeling do blogueiro:
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1- Comparecimento recorde pode significar vitória acachapante de Obama, bem maior que os 11 pontos percentuais previstos.
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2- O uso das chamadas "novas mídias" parece ter entrado definitivamente para o jargão eleitoral. Já ouviram falar em "micro-targeting"? Pois é ao bom uso da internet que alguns analistas explicam a provável vitória de Obama.
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THE SITUATION ROOM (04/11/08 às 20:45 hs.)
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1- Enquete da rede de televisão CNN apontou que 63% dos que acham o Iraque o principal problema dos EUA, votou em Obama. Não tenho mais qualquer dúvida de sua vitória e acho que vai ser de lavada, quase tão grande quanto à enquete feita pelo MR.
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2- A candidata a vice republicana, Sarah Pailen, disse que espera acordar vice eleita. Tirando o aspecto bela adormecida maluquete, até que a Sarinha ainda dá um bom caldo, heim?
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3- Os resultados finais devem ser divulgados no fim da noite. Se eu ainda estiver acordado e tiver saco, volto para uma atualização final.
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AND THE WINNER IS... (05/11/08 às 1:45 hs.)
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Acabam de ser divulgadas projeções razoavelmente confiáveis do resultado das eleições americanas. Conforme esperado, Obama deve vencê-las com expressivas margens, resultando boa folga no colégio de delegados (mais de 340 votos) e ainda na Câmara e no Senado.
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Depois de empossado, podem acontecer os mais variados desdobramentos; será outro capítulo, serão outros quinhentos. Pode, por exemplo, passar para a História como o presidente que pilotou corretamente os EUA numa importante crise financeira e na reorganização econômica em escala planetária. Pode contribuir, decisivamente, para a revalorização dos direitos humanos e reduzir o inaceitável racismo lá e no resto do mundo. Ou pode ser apenas mais um presidente, da longa lista de quarenta e bordoada. Pode até, e inclusive, ser um péssimo presidente e frustrar todas as esperanças nele depositadas pelos cidadãos americanos. Se isto ocorrer, não será o primeiro...

Me dediquei a esse assunto aqui, de forma talvez incomum, porque não creio que tenha apenas sido a vitória de mais um presidente (o quadragésimo quarto, salvo engano), de forma democrática, nos EUA. Nem apenas a vitória de mais um (o vigésimo, acho) democrata. Sequer que tenha sido só a vitória do primeiro negro. Mas, um momento histórico.
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Nesse momento, e sem saber o que o futuro nos reserva, creio que foi uma espetacular vitória da democracia, como forma de governo. Uma emocionante vitória da civilização. E, de certo modo, uma vitória da humanidade, tendo o povo americano como principal ator.

Coisa muito muito rara. Enjoy it!

21 comentários:

  1. Grande RM:

    É isso aí, RM, você que obamou desde criancinha tem todo o direito de, agora, relaxar e gozar...

    Bem, a menos que sejamos surpreendidos por uma bomba de última hora. Por exemplo: se os soldados americanos, no Afeganistão, conseguirem prender ou matar o Osama Bin Laden...Só aí o McCain conseguiria, talvez, virar o jogo...

    rs rs rs

    MR
    3/11 - 13:27

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  2. Grande decanão,
    pelo menos de incoerência não posso ser acusado.

    Se a vitória de um operário no Brasil é um importante símbolo (ao menos isto), um negão na presidência dos EUA é realmente espetacular.

    Por isto a foto de Martin Luther King e as palavras de seu famoso discurso em 1963, Obama ainda usava fraldas:

    "Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios..."

    "Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter..."

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  3. I!m losting a dream...

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  4. Mr Almost,
    difícil acreditar. Em todo caso, leia a Elianinha: ela sabe trabalhar com a desilusão...

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  5. A Elianinha não me quer ver nem pintado. E também não me lê, então...

    Ler cansa-me o cérebro.

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  6. Cérebro cansado?
    Putz, aí já começou a ficar mais complicado.
    Deixa ver... A K está precisando de uma ajuda nas tarefas domésticas. Nada que requeira uso de cérebro (acho).
    Então?

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  7. rm,

    Li hoje que na Flórida pode haver fraude nas urnas. Aliás, li que lá nos EUA pode haver fraude direto em qualquer estado... Como assim? Lá não é primeiro mundo? Não é estranho?
    Torço muito pelo Obama, mas tenho minhas dúvidas se ele conseguirá se eleger. E se se eleger, temo pela sua vida. Americano é muito racista. E adora assassinar presidentes...
    Vamos ver amanhã.
    Estou aflita.

    Bj

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  8. Ei Denise,
    bom tê-la aqui, fazendo comentários inteligentes e pertinentes, valorizando o escrevinhador...

    É verdade. Aliás, na última eleição já havia ocorrido naquele Estado. Não creio que isto seja o mais importante: fraudes podem ocorrer em qualquer lugar do mundo. Mas se ocorrerem lá, tenha certeza de que a imprensa (de lá) denunciará.

    Hoje mesmo o NYTimes publicou matéria denunciando a situação ilegal de parente de Obama; isto depois de ter anunciado o seu apoio formal ao candidato. Você consegue conceber coisa similar no Brasil?

    O fato é que em matéria de instituições democráticas, eles estão anos-luz à nossa frente.

    E não se esqueça de que, quando Luther King fez aquele discurso, os negros eram impedidos, à força, de exercerem seu direito ao voto.

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  9. Eu admiro muito a democracia deles, mas, cá prá nós, eles votam há mais de 200 anos e ainda não aprenderam a organizar a coisa? Aquelas filas enormes e aquelas cédulas mais que confusas são de dar calafrio em qualquer um.
    Abraços,
    Ana Paula

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  10. Ei AP,
    sim, votam faz trocentos anos, mas de forma "livre e universal" há muito menos tempo. É o caso, por exemplo, do voto feminino que, salvo engano, vigorou antes aqui do que lá.

    E de fato o sistema é um bocado confuso, a começar pelo caráter "indireto" da eleição presidencial.

    Mas o mais complicado talvez seja a relativa autonomia dos Estados para legislarem sobre o tema. Há Estados nos quais são usadas urnas eletrônicas, outros nos quais a eleição praticamente já foi realizada por antecipação, etc.

    Mas você duvida que o sistema seja democrático?

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  11. De jeito nenhum, RM. Acho a democracia deles admirável, mas a votação é confusa e pouco prática.

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  12. AP,
    o blog da Folha sobre as eleições publica, hoje, um pequeno sumário sobre as regras eleitorais americanas. Talvez seja leitura útil para você ou outros leitores:

    http://folhanasucessaodebush.folha.blog.uol.com.br/arch2008-11-02_2008-11-08.html#2008_11-04_00_17_42-132266549-29

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  13. rm,

    Uma reflexão: acabei de ler que em NY os eleitores estão ocupando vários quarteirões em filas para votar. Em Indiana, a votação está a espera na fila já passa de quatro horas... E lá ~comparecer às urnas não é obrigatório.Vc acha que brasileiro teria a mesma seriedade?

    Um beijo

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  14. Ei Denise,
    sinceramente não saberia responder. Posts atrás esse tema rolou por aqui; há posições defensáveis de lado a lado.
    Mas da mesma forma que somos obrigados a tirar as fraldas, as chupetas e as mamadeiras dos nossos filhos; haverá um momento em que precisaremos deixar de tratar os cidadãos brasileiros como se fossem incapazes.

    Eu defendo o voto facultativo já; desde que mantenhamos centralizados os sistema de cadastramento, de votação e de justiça eleitoral.

    Mas devolvo a pergunta: você deixaria de votar, se tivesse que enfrentar dificuldades?

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  15. Ficaria até um dia inteiro na fila se o candidato honrasse o meu esforço.

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  16. Pois acredito que sua posição não é diferente do que ocorre no resto do mundo civilizado.
    E não me lembro de ninguém duvidar da legitimidade das eleições na Inglaterra, na França, na Alemanha, etc; onde o voto é facultativo.

    O contrário, atribuir ao cidadão brasileiro uma hipotética incompatibilidade com a liberdade de escolha; isto sim, me parece algo preconceituoso.

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  17. Prezado RM:

    Gostei dos furos que você me deu, no bom sentido, claro... Fiquei tão envolvido com o acompanhamento das apurações e os resultados vieram tão tarde que não consegui postar novamente.
    Gostei, sobretudo, deste trecho final da sua atualização:
    "...Nem apenas a vitória de mais um (o vigésimo, acho) democrata. Sequer que tenha sido só a vitória do primeiro negro. Mas, um momento histórico..
    Nesse momento, e sem saber o que o futuro nos reserva, creio que foi uma espetacular vitória da democracia, como forma de governo. Uma emocionante vitória da civilização. E, de certo modo, uma vitória da humanidade, tendo o povo americano como principal ator".

    Concordo totalmente.

    E, agora, estou sem saber o que escrevo. Tudo o que gostaria de dizer já foi dito e escrito nos jornais, redes de TV e bos blogs...

    Vamos ver o que consigo.

    Abraços,

    MR
    5/11 - 9:38

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  18. Agradeço o generoso comentário, MR.

    E recomendo, como sempre, a leitura da sua opinião (amigos leitores, basta clicar no link à direita).

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  19. RM
    I have a dream ...Obama Bin Laden...Obama, Hosana nas alturas ...Hosana, Obama, Osama ...me fale de Ouro preto, home!!!
    Uma bomba (de chocolate).

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  20. RM
    Booooom.
    Tô de olho em vc...rsssssssssssss
    Tiros de alegria

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  21. Ei Beth,
    "tiros" iguais em você, bela baiana.
    Vou providenciar.

    (Agradeço também a correção às minhas barrigadas em inglês...)

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