quarta-feira, 11 de novembro de 2009

IMAGEM DO DIA

(DE ONTEM)



Perguntinha que não quer calar: quem é a pessoa que mandou e desmandou no setor elétrico brasileiro nos últimos 7 anos?
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domingo, 8 de novembro de 2009

"Good Bye, Lenin!"


Dilma Roussef discursando no congresso do PCdoB


Não; o muro de Berlin não caiu há exatos 20 anos. Ao menos para um bando que se abriga na sigla PCdoB. Essa gente, a exemplo de outros fetichistas, só consegue ir ao gozo através de certas práticas bizarras, como por exemplo sob o hino da Internacional ou ao tremular das bandeiras com a foice e o martelo...

A história desse partideco brasileiro é digna de registro, quando não pelo inacreditável acúmulo e sucessão de equívocos. Criado em meados da década de 1920, foi o último partido a renunciar ao legado do stalinismo. A contragosto o fez para apoiar o maoísmo e, quando até o regime chinês não mais comportava tanta ortodoxia, voltou-se à adoração do modelo albanês, do sombrio Enver Hoxha. Na década de 1970 protagonizou o mais patético movimento armado de esquerda do qual se tem notícia: a guerrilha do Araguaia. Um pequeno grupelho de militantes de classe média buscou, nas franjas da Amazônia, repetir a marcha vermelha de Mao, convocando os camponeses brasileiros.

Mesmo com a pulverização do antigo mundo comunista, iniciado com a "perestroika", manteve o ideário e a neurótica crença de que eram os únicos certos num mundo de errados. Dessa feita os militantes voltaram-se para a ilha de Cuba, regime que no passado desaprovavam. Mas também na ilha a derrocada da ditadura dos Castro é mera questão de tempo. Assim, parece provável que os herdeiros dessa "importante linhagem" sejam o atual presidente da República e sua candidata a sucedê-lo, Lula e Dilma.

E o que aprenderam seus militantes nesses quase 90 anos de existência da sigla? Bem, não sei nem quero saber, mas desde alguns anos parecem ter aprendido a ocupar o aparelho de Estado e a usufruir de suas benesses. No atual governo federal ocupam as pastas dos Esportes e da Articulação Política e a importante (e suspeita) ANP - Agência Nacional do Petróleo.

Na última sexta-feira, em meio a realização do 12º Congresso do PCdoB, foram convidados de honra e ovacionados os dois políticos petistas. Dilma, com trajetória pessoal bem próxima ao antigo partideco comunista, falou durante 30 minutos (leiam aqui, aqui e aqui). E foram tantas asneiras que eu começo a acreditar que ela é mesmo a continuação de Lula...



ATUALIZAÇÃO (09/11/09 às 11:20 hs.)

Senão vejamos:

"O PCdoB é uma das chamas que vai iluminar esse projeto junto com os partidos que integram nosso governo. Tenho certeza que essa chama vai brilhar para todo o Brasil".
Claro. Junto com o PTB de Roberto Jeferson, o PP de Maluf, o partido do bispo da Universal...

"
Na era Lula, asseguramos, sem susto, nem sobressalto o estado de direito e as liberdades democráticas".
Sim, quem viveu assustado e aos sobressaltos fomos nosotros, com as inúmeras tentativas de "chavezar" o Brasil...

"Garantimos o mais vigoroso fluxo de inclusão social. Nos livramos do FMI e hoje conseguimos acumular 233 bilhões de dólares em reservas."
A ministra deve achar que todo mundo é idiota. O Brasil não tem problemas com o FMI desde o governo Collor, quando Pedro Malan renegociou a dívida externa. O acúmulo de reservas não pode ser creditado ao governo Lula mas, obviamente, à extraordinária performance da economia internacional nos últimos anos. Ou será que o governo brasileiro fez os chineses comprarem mais?
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SE A MODA PEGA...


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terça-feira, 3 de novembro de 2009

SAUDADE BRASILEIRA (4/5)

Para Udi Tarora


Imagem copiada daqui


O exílio de fato ou o futuro interrompido


No período que vai de meados dos anos 60 a meados dos 80 - e que corresponde ao ciclo ditatorial iniciado em 1964 - creio haver 3 aspectos dignos de ênfase: a) a experiência concreta do exílio; b) a idéia, fortemente arraigada, de que bastaria a retomada do processo democrático para que fossem resolvidos todos os problemas do país; e, c) o deslocamento da poesia e da retórica para a música popular.

Quanto ao primeiro aspecto é certo que desde o fim do período colonial até, pelo menos, a promulgação da Constituição de 1946, sempre houve limitações ao caráter democrático da sociedade brasileira. Na fase imperial (1822-1889) basta lembrar que ainda vigia o regime escravista; durante toda a Primeira República (1889-1930) não foram poucas as tentativas de golpes de estado e mesmo após 1946 prevaleceu certo caráter conservador que levou, por exemplo, alguns partidos políticos para a clandestinidade. Mas foi na época do chamado Estado Novo (1937-1945), período de exceção, que mais aflorou o caráter autoritário das instituições brasileiras.

E, no entanto, nem em plena ditadura varguista é possível falar-se em exílio no sentido clássico, grego: de exclusão social, de ostracismo. O exílio, como experiência real para muitos brasileiros e como política de Estado, só ocorre com o golpe de 64 (e a partir de fins dos 80 inaugura-se uma nova forma de exílio, a migração voluntária para outros países...).

O segundo aspecto liga-se à visão de que o regime ditatorial pós-64 representou um hiato no caminho, inexorável, de o país realizar seus desígnios; o que resultou, de certo modo, na crença de que bastaria restabelecer-se o regime democrático para alcança-los. Seguem algumas releituras do célebre poema de Gonçalves Dias, relacionadas a esse período:


Em 1964 o poeta português Armando A. C. Garcia, publica A minha Terra, falando de outra terra e outra saudade, mas parecendo antever:
"(...) Tem zimbros, tem carrascos e fragas nuas.
Neve nas serras, no azul, a imensidade,
Na minha terra, mora minha saudade
Que, à noite em sonho perambula pelas ruas.

Na minha terra o branco do luar é mais branco.
As gotas do orvalho são frias geladas...
As terras ficam secas, e empedradas
Quando, as geadas brancas, cobrem o campo (...)"


Em 1968 Torquato Neto (1944-1972) e Gilberto Gil compuseram Marginália II, cujos versos explicitam "o exílio em casa":
"Aqui, o Terceiro Mundo
Pede a bênção e vai dormir
Entre cascatas, palmeiras
Araçás e bananeiras
Ao canto da juriti

(...) Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte

Aqui é o fim do mundo."


No mesmo ano e com o mesmo sentido, Tom Jobim e Chico Buarque compõem Sabiá, clássico definitivo da música brasileira, que dialoga com os versos originais e assenta o sentido da palavra saudade, no caso brasileiro:
"(...) Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer (...)"




Em 1969 Rubem Braga (1913-1990) publica, em Ai de ti, Copacabana:
"Se eu dissesse que cantava, mentiria. Não cantava. Estava quieto; demorou-se algum tempo, depois partiu.

Mas eu presto meu depoimento perante a História. Eu vi. Era um sabiá, e pousou no alto da palmeira. “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.” Não cantou. Ouviu o canto de outro sabiá que cantava longe, e partiu.

Era um sabiá-laranjeira, de peito cor de ferrugem; pousou numa palmeira cheia de cachos de coquinhos, perto da varanda. Ouviu um canto distante, que vinha talvez dos pés de mulungu. Sabeis, naturalmente: é agosto e os mulungus estão floridos, estão em pura flor, cada um é uma grande chama cor de tijolo. Foi de lá que veio um canto saudoso, e meu sabiá-laranjeira partiu.

Mas ele estava pousado na palmeira. Descansa em paz nas ondas do mar, meu velho Antônio Gonçalves Dias; dorme no seio azul de Iemanjá, Antônio. Ainda há sabiás nas palmeiras, ainda há esperança no Brasil."


Em 1970, do outro lado do espectro ideológico, Don e Ravel compõem Eu Te Amo, Meu Brasil:
"As praias do Brasil ensolaradas
O chão onde o país se elevou
A mão de Deus abençoou
Mulher que nasce aqui tem muito mais amor
O céu do meu Brasil tem mais estrelas
O sol do meu país mais esplendor
A mão de Deus abençoou
Em terras brasileiras vou plantar amor

Eu te amo meu Brasil, eu te amo
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil
Eu te amo meu Brasil, eu te amo
Ninguém segura a juventude do Brasil (...)"




Em 1973 José Paulo Paes (1926-1998) publica sua Canção do Exílio Facilitada:
"lá?
ah!
sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...

cá?
bah!"


Em 1976 Taiguara (1945-1996) compõe Terra das Palmeiras (assinada por sua primeira esposa, Gheisa Gomes):
"Sonhada terra das palmeiras
Onde andará teu sabiá?
Terá ferido alguma asa?
Terá parado de cantar?

(...) Ah! minha amada amortalhada
Das mãos do mal vou te tirar
Pra dançar danças de outras terras
E em outras línguas te acordar."


Em 1985 Cacaso (1944-1987) dá sua versão sobre o chamado "milagre brasileiro", em Jogos Florais I:
"Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre."


Em 1988 Paulo Mendes Campos (1922-1991) publica sua Nova Canção do Exílio, espelhando o que ficou conhecido como "Nova República":
"Minha terra tem coqueiros
Sabiá já foi pro brejo (...)
Brasileiras, brasileiros
Daqui vou pro Alentejo."
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

AGENDA REVANCHISTA



"CCJ da Câmara deve votar na quarta-feira proposta sobre diploma para jornalistas" (mais aqui)
A proposta, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), tenta reeditar a obrigatoriedade do diploma e deve ser considerada um acinte à decisão da corte suprema do país, que declarou inconstitucional lei similar. Quem sabe o deputado imbecil não propõe outra lei, exigindo "diproma" pra presidente? Eu apóio...

"Governistas articulam votação de parecer que defende ingresso da Venezuela ao Mercosul" (mais aqui)
O parecer original, de Tasso Jereissati (PSDB-CE), era contrário à participação no bloco econômico do país governado por Chávez, pela elementar razão de trata-se de uma ditadura cucaracha de mierda. O governo pretende virar a mesa nesta quinta-feira, derrubando o parecer de Jereissati, aprovando novo parecer (de Jucá) e levando a matéria ao plenário da Casa.

"Novo ministro do STF pode suspender extradição de Battisti" (mais aqui)
"O julgamento deve ser reiniciado ainda este mês", informa o jornal e a participação de Toffoli, ex-advogado geral da União e dono da assinatura que recomendava asilo ao bandido italiano, é uma afronta à elementar tese do "impedimento do juíz, por conflito de interesses"... Aliás, o novo ministro já deu o ar da graça e "... concedeu um habeas corpus suspendendo a pena de dois anos de reclusão, em regime semiaberto, a uma mulher acusada de furtar cremes hidratantes de uma farmácia" (mais aqui).

PSCQC
Pior que revanchismo só mesmo o futuro interesseiro: deprimente a puxação de saco comandada pelos "comediantes" do programa CQC, que ligaram para o Palácio presidencial com o objetivo de parabenizar o presidente da República por seu aniversário. PQP, estatizaram até a comédia! Será que os integrantes do programa já tem uma boquinha prometida pela Dilma?


ATUALIZAÇÃO (28/10/09 às 16:15 hs.)

Quem me conhece um pouquinho sabe que não nutro qualquer simpatia pelo jornalista Reinaldo Azevedo. Isto não me impede, entretanto, de reconhecer a chamada "força do argumento": enquanto a grande imprensa se omite em relação à entrada da Venezuela no MERCOSUL o jornalista demonstra que o requisito não é apenas uma formalidade jurídica e se encontra expresso nos documentos fundadores do bloco econômico (leiam aqui).

Ele não demonstra, porém, a necessidade lógica desse requisito. Faço eu: protocolos econômicos internacionais exigem "segurança jurídica" (portanto, um judiciário independente e forte), ambiente de liberdade (para informação e fiscalização) e adequação a regras de política econômica comuns. Não foi por outra razão que países "atrasados" (do ponto de vista das instituições democráticas) como Portugal e Espanha (e também os países do leste europeu) só foram aceitos na União Européia depois de passarem por processos de redemocratização.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"O Rio de Janeiro continua lindo..."



Sobre os recentes episódios de violência explícita na cidade maravilinda, típicas de países em guerra civil (com direito até à derrubada de helicópteros); recomendo leitura da mais recente postagem do meu amigo Marcos Rocha (aqui). Entre outros aspectos ele defende que não haverá solução para o problema enquanto existir a permissiva tolerância com a bandidagem carioca, que se reflete em variados graus, desde o consumidor de drogas.

Não posso concordar com esse último aspecto; a mim me parece fazer tanto sentido quanto culpar o pedestre pelo atropelamento (embora isto de fato, em casos específicos, possa ocorrer). Mas compartilho integralmente a opinião do decano quanto ao "imbricamento" entre bandidos e sociedade existente naquela cidade. Elementar: não se negocia com bandidos!

Ainda hoje, a deputada Marina Magessi (PPS-RJ), presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Federal e ex-chefe de investigação da Divisão de Repressão a Entorpecentes do Rio de Janeiro fez gravíssima acusação aos governos estadual e federal:

"Há mais de um ano que ninguém entra, ninguém vai, nenhuma polícia vai no "Complexo do Alemão"; por conta das obras do PAC. Então tem que fazer alguma coisa que pareça que está tudo muito bem no Rio de Janeiro. Por que? Porque o PAC está funcionando lá, mas é mentira, porque com isso ali virou um bunker. As piores armas estavam ali, que todos os bandidos estavam ali e que ninguém fazia nada para que não tivesse confronto." (hoje, no "Bom Dia Brasil", aqui para assistir)

Tivessem um pingo de vergonha na cara, já teriam vindo a público suas excelências governador estadual e presidente da República, para rechaçarem as declarações da deputada. Sim, porque para os resultados das políticas de repressão "na ponta" (sob a competência estadual) e do combate ao tráfico de drogas e ao contrabando de armas (de responsabilidade federal) sabemos que não há respostas...


ATUALIZAÇÃO (23/10/09 às 16:50 hs.)

Alguns leitores (e uma leitora muito especial) pediram os links sobre o debate no qual acabei com o MR (rss), ops, digo, que travamos, MR e eu, sobre a questão da violência no Brasil. Não sei se estão abaixo todos os posts mas estarão os principais. Cliquem nos títulos:

1) Terça-feira, 23 de outubro de 2007
: Ainda a repercussão e as polêmicas que estão acontecendo a partir do Tropa de Elite. O filme foi um soco no fígado dos cheiradores e maconheiros.

2)
Quarta-feira, 24 de outubro de 2007: O comentário do blognauta RM virou post. Ele insiste em achar que o Capitão Nascimento e o BOPE são a origem do problema, quando são parte da solução..

3)
Quinta-feira, 25 de outubro de 2007: Quem são os usuários assumidos de maconha e cocaína no Brasil? O estudo da FGV revela que estão no topo da pirâmide social brasileira. O que fazer?

4)
Quinta-feira, 25 de outubro de 2007: O blognauta RM rides again e abre agora uma frente de batalha contra o colega economista Marcelo Néri.Este blog fica assistindo ao duelo de camarote.

5)
Sábado, 27 de outubro de 2007: O blognauta RM invade o ringue Plano Geral, de um blogueiro ainda zonzo, e já vai logo acertando um cruzado de esquerda na altura da medalhinha. PQP!

6)
Sábado, 27 de outubro de 2007: Começo defendendo a tese de que chega de diagnósticos sobre as causas da violência. É preciso agora ter uma visão holística e dar soluções caso a caso

7) D
omingo, 28 de outubro de 2007: O RM vira a sua metralhadora giratória contra mim, a polícia (seu saco de pancada predileto),a ONU, enfim critica todo mundo. Mas não aponta soluções.

8)
Domingo, 28 de outubro de 2007: José Mariano Beltrame, Secretário de Segurança Pública do RJ, entra repentinamente no debate reforçando o blogueiro e arrasando o blognauta RM.

9)
Domingo, 28 de outubro de 2007: Para o RM, as soluções são: urbanização e saneamento; política habitacional; educação básica; e geração de emprego, além de "dar um jeito na polícia".

10)
Segunda-feira, 29 de outubro de 2007: Último round de um duelo, no qual apresento minhas idéias polêmicas, como a Operação Zero Bala, o apoio à legalização do aborto, o CANUDI e outras...

11)
Segunda-feira, 29 de outubro de 2007: Segue o último post sobre este tema que já deu tudo que tinha para dar, no qual o blognauta RM faz críticas mas apóia algumas idéias do blogueiro MR.

12)
Terça-feira, 30 de outubro de 2007: Com a palavra o Professor de Economia em Chicago, Steven Levitt: "A legalização do aborto contribui, sim, para a queda dos índices de criminalidade".

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

CAFFFFFÉ COM O PRESIDENTE


Será que o café é "batizado"?


"Vou trabalhar como nunca trabalhei na minha vida para concluir as coisas que estamos fazendo, para aperfeiçoar aquilo que possa ter algum defeito e, ao mesmo tempo, para deixar o Brasil mais preparado para quem vier depois de mim...", Lula da Silva, hoje, no programa de rádio "Café com o Presidente" (mais aqui).


1º F (de fraco): "Vou trabalhar como nunca..."
Todos os eleitores e cidadãos minimamente informados sabem que sua excelência nunca foi muito de trabalhar...

2º F (de frio): "... concluir as coisas que estamos fazendo..."
As "coisas"? Ainda bem, porque os "negócios" melhor ficarem inconclusos...

3º F (de fedorento): "... aperfeiçoar aquilo que possa ter algum defeito..."
"Aquilo que possa"? Putz, "nunca antes nesse país" houve tanta soberba!

4º e 5º F (e com formiga no fundo): "... mais preparado para quem vier depois de mim...
Apesar dos 345% de popularidade o presidente não moveu um dedo (rss) para preparar o país para: a) melhorar o quadro instituciuonal atinente às relações do trabalho; cerca de metade dos trabalhadores brasileiros está na informalidade e a outra metade sujeita à Carta del Lavoro de Mussolini; b) enfrentar o progressivo, mas rápido envelhecimento da população, não restando dúvida de que a solvência da Previdência será um dos maiores problemas do país no fututo; c) investir pesadamente na educação - os resultados de seu governo nessa área estão adequados ao nível de instrução do titular do mandato; e, d) melhorar a vexaminosa saúde pública do país.


Ah, quer saber, presidente? Precisa trabalhar mais não e... já vai tarde!

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MÚSICA E POESIA (8)

"Tu pisavas nos astros, distraída..."
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Exceto os versos acima, talvez até o ilustrado público desse chalezinho desconheça a obra (ou dela tenha poucas referências) de um dos principais letristas da música popular brasileira: Orestes Barbosa (1893-1966).

Filho de família pobre no Rio de Janeiro do início do século, não freqüentou escola e iniciou-se no jornalismo aos 19 anos, pelas mãos de ninguém menos que Rui Barbosa. Antes dos 30 anos já havia publicado vários livros de poesia. O talento chegou a valer-lhe indicação para uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, eleição que perdeu e a partir da qual dedicou-se às letras do jornalismo e da música (aqui para uma biografia resumida).



No centenário de seu nascimento, Sérgio Augusto publicou artigo na Folha de São Paulo, do qual extraio os seguintes excertos (aqui para o artigo na íntegra):

"Como boêmio e jornalista, sua vida também foi um palco iluminado. Sobretudo pelas luzes e pelas estrelas, as luzes naturais dos notívagos e as mais solidárias musas dos poetas.

Em seus versos, em suas letras e em suas crônicas, elas viviam brilhando num céu salpicado de metáforas. Um céu que um dia era 'um grande armarinho', noutro um 'jornal de sonho'. No primeiro o poeta comprava luar a metro; no segundo, lia 'todo o passado tristonho que não se pode escrever'.




Quase todos a sua volta o chamavam de mestre; respeito não tanto ditado por sua ascendência etária ( tinha mais 18 anos que Noel Rosa ), mas por ser o mais culto, viajado e exuberante membro da melhor confraria que Vila Isabel já abrigou. Em qualquer turma era o centro das atenções, fonte das observações mais sagazes, das tiradas mais desconcertantes, das imagens mais surpreendentes, muitas das quais se aninharam em suas canções de amor e ciúmes, de intriga e erro, de solidão e saudade. Boêmio singular, pouco bebia. 'Meu negócio é papo', dizia, com o cigarro permanentemente pendurado nos lábios.




Orestes foi o Vinícius dos anos 20 , 30 e 40. 'Um Vinícius muito mais radical', lembrando que, ao contrário do bardo da bossa nova, Orestes nunca mais voltou a poesia depois de abraçar o samba e a canção.




À música rendeu-se por inteiro, por quase toda a década de 30. Quando ela acabou, a canção romântica já era outra coisa, suspirando sem pieguice e invocando objetos nunca dantes ventilados, como tapete, telefone, rádio e anúncios luminosos. Até o sorriso e o pranto ficaram mais inteligentes depois que Orestes transformou a lágrima em "pérola nublada", a saudade em "círio aceso sem altar", a lua em "hóstia de mágoas" e
"clichê dourado impresso em papel azul".

É mesmo verdade que Manoel Bandeira considerava o verso 'tu pisavas nos astros distraída' o mais bonito da língua portuguesa ( e dizia 'se ralar' de inveja de Orestes)."





Talvez o que melhor caracterize sua obra tenha sido uma resultante lufada de modernidade no samba, algo compartilhado com outras formas de expressão artística no Brasil dos anos 20 e 30. O mesmo ocorreria com a Bossa Nova - e Vinícius - em fins dos anos 50, levando a música popular e as letras das canções ao mais alto grau de apuro técnico e de estética fundamentalmente brasileira (aqui, aqui e aqui para mais informações sobre a vida e obra do poeta).




ATUALIZAÇÃO (19/10/09) às 8:45 hs.)

Cora, a simpática moça que se recusa, inexplicavelmente, a criar seu próprio blog, fez ótimo comentário a esse postinho, mostrando as ligações do poeta com outro extraordinário letrista da mpb, Noel Rosa. Reproduzo abaixo:

"
Carlos Didier, músico e pesquisador carioca, biógrafo de Noel Rosa e de Orestes Barbosa informa numa entrevista que Orestes, contemporâneo,dezessete anos mais velho do que o Noel, teve o olhar agudo para detectar que o jovem Noel Rosa não era comum – “era, de fato, um ponto fora da curva” – “um mito”. Orestes escreveu a respeito de Noel:- “É um gênio”.

Compôs, em parceria com Noel Rosa:

- Araruta (1932)

Tu pedes, mandando
Faça o favor
A tua boca nunca diz
Tu cedes, negando
Com estes olhos
Que pra mim são dois fuzis
Sou mole, manhoso
Teus impropérios
Retribuo com brandura
Pois água mole
Na pedra dura
Tanto bate até que fura
Tu beijas, mentindo
A tua boca
Beija e mente sem sentir
Desejas, sorrindo
Que o teu perdão
Humildemente eu vá pedir
Não peço, espero
Ainda a ver-te
Entre lágrimas bem mal
Meu bem, escuta
A araruta
Tem seu dia de mingau

- Positivismo (o próprio Noel gravou, setembro/1933

A verdade meu amor mora num poço
É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz
E também faleceu por ter pescoço
O infeliz autor da guilhotina de Paris
Vai orgulhosa, querida
Mais aceita esta lição
No câmbio incerto da vida
A libra sempre é o coração
O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezastes esta lei de Augusto Comte
E fostes ser feliz longe de mim
Vai coração que não vibra
Com teu juro exorbitante
Transformar mais outra libra
Em dívida flutuante
A intriga nasce num café pequeno
Que se toma para ver quem vai pagar
Para não sentir mais o teu veneno
Foi que eu já resolvi me envenenar

- Habeas-Corpus (1933)

No tribunal da minha consciência,
O teu crime não tem apelação.
Debalde tu alegas inocência,
Não terás minha absolvição.
Os autos do processo da agonia,
Que me causaste em troca ao bem que te fiz,
Chegaram lá daquela pretoria,
No qual o coração foi o juíz.
Tu tens as agravantes da surpresa
E também as da premeditação,
Mas na minh’alma tu não ficas presa
Porque o teu caso é caso de expulsão.
Tu vais ser deportada do meu peito
Porque o teu crime encheu-me de pavor
Talvez o habeas-corpus da saudade
Consinta o teu regresso ao meu amor.

- Suspiro (1934)

Suspiro anseio secreto
Revelação que o afeto
Gemer que ninguém traduz
Suspiro triste recado
Que um coração ansiado
Da desventura na cruz
Suspiro vossa desgraça
Vossa alegria que passa
Dando lugar ao sofrer
Suspiro o peito se cala
Na dor que tanto apunhala
E não se pode dizer
Suspiro anseio secreto
Revelação que o afeto
Gemer que ninguém traduz
Suspiro triste recado
Que um coração ansiado
Da desventura na cruz
Suspiro que crueldade
Tem que nascer da saudade
Enquanto o amor quiser
Eu já dei mais de mil giros
E a fonte dos meus suspiros
É sempre a mesma mulher

Mais aqui: http://www.brasileirinho.mus.br/menuradio.htm

:*"

É de se supor que tenha havido forte influência recíproca entre os autores, que trouxeram, entre outras coisas, a crônica da cidade do Rio de Janeiro para a música. Para ilustrar, segue gravação da parceria Positivismo, em performance do próprio Noel e de Pixinguinha (reparem na crítica velada à política de valorização do café, nos versos "Com teu juro exorbitante/Transformar mais outra libra/ Em dívida flutuante").
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