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domingo, 29 de março de 2009

VIOLÕES BRASILEIROS (5)

Talvez não haja violão mais brasileiro que o de Baden Powell de Aquino (há outro site "oficial", mantido na Alemanha: aqui). Ao menos para o resto do mundo, especificamente a Europa, onde viveu por mais de 20 anos. A tez mulata e o cabelo pixaim em apurada técnica clássica deve ter contribuído; como também o swing dos temas afro-brasileiros em sincretismo perfeito com formas musicais eruditas. A exemplo do último da série (leiam aqui e para ver todas as postagens, aqui) o instrumentista é mais conhecido no exterior que no seu país. Mas ao contrário daquele, também fez muito sucesso no Brasil, por conta de sua obra como compositor; única, singular e com uma contribuição nada desprezível de Vinícius de Moraes.

Nascido numa pequena cidade do norte fluminense (Varre-Sai), cedo demonstrou interesse e talento musical. Ainda criança, mas já no Rio, frequentou, com seu pai, as rodas de grandes chorões e sambistas. Jovem músico profissional, sua carreira artística deu um salto quando "adotado" por Vinícius. Com ele compôs grande parte de sua expressiva obra (vejam aqui lista completa de composições) e, a partir de fins dos 60, consolidou carreira internacional, emigrando para a França.

O apuro técnico, o virtuosismo e uma "mão direita" como poucos, caracterizam o instrumentista. A mesma "mão direita" aparece em suas composições, com um gingado difícil de ser imitado, como é exemplo a suíte de "afro-sambas", iniciada com Canto de Ossanha. Uma pesquisa na web resulta em cerca de 1.700 vídeos disponíveis (vejam aqui). Tirando os resultados do fundador do escotismo e de vídeos repetidos, devem sobrar várias centenas, o que dá uma medida de sua importância artística. Escolhi, entre vários selecionados (vejam alguns aqui, aqui e aqui), esta execução do Estudo Nº3 em Mi maior, de Chopin.




A seguir uma seleção de composições de Baden, entremeada com performances extraordinárias do violonista. Dessa segunda vertente: Se todos fossem iguais a você (Jobim e Vinícius); Carinhoso (Pixinguinha e Braguinha), numa execução sensacional; The shadow of your smile (Mandel and Webster), a pedidos (merecidos); Asa branca (Luís Gonzaga e Humberto Teixeira) e Samba triste (Baden e Billy Blanco). Da primeira: Refém da solidão (Baden e Paulo Cesar Pinheiro), com o MPB4; Pra que chorar (Baden e Vinícius), com Os Cariocas; Canto de Ossanha (Baden e Vinícius); Apelo (Baden e Vinícius), Samba da Benção (Baden e Vinícius), todas com Vinícius e Toquinho; Samba em preludio (Baden e Vinícius), com Vinícius, Toquinho e Maria Creuza; Feitinha pro poeta (Baden e Lula Freira), com o Bossacucanova; Tem dó (Baden e Vinícius), com Pedro Camargo Mariano e Violão vadio (Baden e Paulo Cesar Pinheiro), com Elizeth Cardoso e Rafael Rabelo. Berimbau (Baden e Vinícius) aparece duas vezes, com Toquinho e Vinícius e com Baden.