sexta-feira, 30 de julho de 2010
"Não há relação nenhuma do governo Lula com as Farc" (Dilma Rousseff)*
Manifestação do MST, ontem (29/07/10) em Recife, em apoio à Venezuela. Chávez rompeu laços diplomáticos com a Colômbia, depois de ter sido acusado de proteger integrantes das Farc...
(*) Declaração transcrita daqui. A recente denúncia feita pelo candidato à vice na chapa de Serra foi em relação ao PT e as Farc e não entre estas e o governo Lula...
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
FIM DE CASO EM RIBEIRÃO
O pedreiro Antonio Mondim, 47 anos, prestou depoimento na manhã desta quarta-feira na 3ª DP de Ribeirão Preto. Segundo a Polícia Civil, ele negou que tenha abandonado a noiva no altar e que tenha roubado os bens dela. Segundo ele, o compromisso tinha sido desfeito porque ela se negou a convidar os pais dele para a cerimônia.
No dia do casamento, 16 de julho, após voltar do salão de beleza, a noiva de Mondim, uma dona de casa de 49 anos, percebeu que ele havia saído de casa, levando roupas, a moto, o carro e as economias do casal, R$ 19 mil. Ela então procurou a delegacia e apresentou queixa por roubo.
Aos investigadores, o pedreiro afirmou que o relacionamento havia se deteriorado muito nos últimos dias, sobretudo porque a mulher é evangélica e ele frequenta bares e consome bebidas alcoólicas.
JBonline, 21/07/2010 (notícia completa aqui)
ATUALIZAÇÃO (23/07/10 às 9:10hs.)
Ainda não foram confirmadas as ligações entre os dois episódios em Ribeirão Preto, mas reparem no casal à esquerda: ao perceber que o carro desgovernado não causaria maiores problemas, o homem (Antônio? Espeto?) arrasta a mulher para que seja atropelada...
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ATUALIZAÇÃO (27/07/10 às 19:25hs.)
E atenção, amigos: tudo não passou de um grande mal entendido! Espeto, digo, Antônio, apenas foi fazer uma pescaria no dia do casamento... Pescaria? rss
Após uma primeira tentativa de casamento frustrada pela suspeita de fuga do noivo, o casal Sueli Casarotti, de 49 anos, e Antônio Mondim, de 47, remarcaram o casamento para sábado, dia 30, na cidade de Ribeirão Preto (SP). A união estava marcada para o dia 17, mas houve um desentendimento do casal na véspera, e Mondim foi pescar, levando R$ 19 mil, o carro, a moto e seus pertences. A mulher chegou a registrar boletim de ocorrência, acusando-o de roubo. Agora, porém, ela afirma que tudo está esclarecido. "Ele até voltou antes do horário do casamento, mas eu não quis mais, não tinha condições de dialogar", disse Sueli.
Nesta manhã, os noivos foram ao cartório remarcar a nova data para o casório e depois passaram na Polícia Civil para arquivar o caso. Eles vivem juntos há quatro anos e, sorridente, ela descarta qualquer tipo de "troco" no marido, que brinca com a companheira sobre ela ser abandonada dessa vez. "Jamais faria isso, temos um relacionamento estável, somos honestos e direitos", garante Sueli. "Foi um desentendimento de casal, e ela estava nervosa", emenda Mondim.
Como garantia da realização da união, avisaram que a imprensa pode registrá-la. "Tive vontade de dar uma surra nele, mas agora será diferente", diz Sueli.
(transcrição daqui)
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terça-feira, 13 de julho de 2010
"Os verdadeiros protagonistas da luta em Cuba"
Yoani Sanchez
O ar-condicionado ronronava às minhas costas, enquanto o cheiro de sala de cirurgia grudava na roupa verde que recebi ao entrar. Sobre a cama, o corpo enfraquecido de Guillermo Fariñas expunha as consequências de 134 dias sem ingerir alimentos sólidos e líquidos.
Permaneci um bom tempo olhando para os tubos que levam ao interior de suas veias o soro que o mantém vivo e os antibióticos para combater múltiplas infecções. Faz apenas dois dias que Coco (apelido recebido por Fariñas dos amigos) anunciou a interrupção de sua greve de fome para proporcionar o tempo necessário para que se cumpra a libertação dos presos políticos. O primeiro gole de água que deu depois de tanto tempo provocou em seu ressecado esôfago a sensação de uma língua de fogo que o queimava por dentro.
Com as sequelas produzidas por um período tão longo de inanição, voltar a beber e a comer não é garantia de sobrevivência para este psicólogo e jornalista independente. Sua saúde se encontra num estado limítrofe de deterioração, como consequência de outras 22 greves de fome anteriores. Ninguém pode saber ao certo se Fariñas chegará, num futuro próximo, a apertar a mão dos prisioneiros que, com sua determinação, ajudou a libertar. Um coágulo instalou-se perto de sua jugular, as bactérias e os germes infectam seu sangue e um intestino atrofiado, pela falta de uso, mal consegue conter a flora que é derramada em seu abdômen. O herói da batalha pela libertação de 52 dissidentes e opositores terá dificuldade para vencer a luta contra a morte. O homem que desafiou um governo que nunca foi caracterizado pela clemência terá pela frente um caminho difícil para vencer suas debilidades físicas.
Justo na primeira madrugada depois de anunciar a suspensão da greve de fome, a família de Fariñas permitiu que eu cuidasse dele na sala de terapia intensiva do hospital de Santa Clara. Voltei para casa triste e cansada, rodeada de anúncios otimistas sobre os presos que deixavam o cárcere, mas imbuída da convicção pessoal de que, para Fariñas, a cruzada pela vida acaba de começar. Ainda assim, me pergunto como foi possível que nos tenham cortado todos os caminhos da ação cívica, até nos deixarem apenas com nossos corpos para ser usados como estandarte, cartaz, escudo. Quando um país se torna palco de tais greves de fome, é hora de se perguntar que outras vias restam aos inconformados e quem teriam sido os responsáveis por inibir os mecanismos de expressão dos cidadãos, e por quê.
Ainda que as grandes manchetes divaguem agora sobre o trabalho de mediação do chanceler Miguel Ángel Moratinos e a negociação entre a Igreja Católica e o governo cubano, todos sabemos quem são os verdadeiros protagonistas destas lutas. Cidadãos como as Damas de Branco, pessoas simples como Fariñas e gente sofrida como o próprio Orlando Zapata Tamayo, conseguiram que Raúl Castro começasse a destrancar as celas. Sem o empurrão proporcionado por eles, os sete anos de detenção suportados por aqueles que foram detidos durante a Primavera Negra de 2003 poderiam ter se convertido numa década ou até em meio século de condenação. No entanto, um homem decidiu fechar o estômago à bênção da comida para conseguir que eles voltassem a caminhar pelas ruas de seu país e a abraçar suas famílias. Quem o vê de perto comprova que se trata de um cidadão magro e comum, que um dia vestiu um uniforme militar como soldado de Cuba combatendo em Angola.
A mesma força de vontade que o levou a caminhar 13 km (em terras africanas) com uma bala cravada nas costas permitiu a ele manter até poucos dias atrás sua recusa em se alimentar. O terreno onde se deu o persistente protesto foi seu próprio corpo que é, afinal, o único espaço que lhe restou para protestar.
Publicado n' O Estado de São Paulo, em 13/07/10 (tradução de Augusto Calil)
O ar-condicionado ronronava às minhas costas, enquanto o cheiro de sala de cirurgia grudava na roupa verde que recebi ao entrar. Sobre a cama, o corpo enfraquecido de Guillermo Fariñas expunha as consequências de 134 dias sem ingerir alimentos sólidos e líquidos.
Permaneci um bom tempo olhando para os tubos que levam ao interior de suas veias o soro que o mantém vivo e os antibióticos para combater múltiplas infecções. Faz apenas dois dias que Coco (apelido recebido por Fariñas dos amigos) anunciou a interrupção de sua greve de fome para proporcionar o tempo necessário para que se cumpra a libertação dos presos políticos. O primeiro gole de água que deu depois de tanto tempo provocou em seu ressecado esôfago a sensação de uma língua de fogo que o queimava por dentro.
Com as sequelas produzidas por um período tão longo de inanição, voltar a beber e a comer não é garantia de sobrevivência para este psicólogo e jornalista independente. Sua saúde se encontra num estado limítrofe de deterioração, como consequência de outras 22 greves de fome anteriores. Ninguém pode saber ao certo se Fariñas chegará, num futuro próximo, a apertar a mão dos prisioneiros que, com sua determinação, ajudou a libertar. Um coágulo instalou-se perto de sua jugular, as bactérias e os germes infectam seu sangue e um intestino atrofiado, pela falta de uso, mal consegue conter a flora que é derramada em seu abdômen. O herói da batalha pela libertação de 52 dissidentes e opositores terá dificuldade para vencer a luta contra a morte. O homem que desafiou um governo que nunca foi caracterizado pela clemência terá pela frente um caminho difícil para vencer suas debilidades físicas.
Justo na primeira madrugada depois de anunciar a suspensão da greve de fome, a família de Fariñas permitiu que eu cuidasse dele na sala de terapia intensiva do hospital de Santa Clara. Voltei para casa triste e cansada, rodeada de anúncios otimistas sobre os presos que deixavam o cárcere, mas imbuída da convicção pessoal de que, para Fariñas, a cruzada pela vida acaba de começar. Ainda assim, me pergunto como foi possível que nos tenham cortado todos os caminhos da ação cívica, até nos deixarem apenas com nossos corpos para ser usados como estandarte, cartaz, escudo. Quando um país se torna palco de tais greves de fome, é hora de se perguntar que outras vias restam aos inconformados e quem teriam sido os responsáveis por inibir os mecanismos de expressão dos cidadãos, e por quê.
Ainda que as grandes manchetes divaguem agora sobre o trabalho de mediação do chanceler Miguel Ángel Moratinos e a negociação entre a Igreja Católica e o governo cubano, todos sabemos quem são os verdadeiros protagonistas destas lutas. Cidadãos como as Damas de Branco, pessoas simples como Fariñas e gente sofrida como o próprio Orlando Zapata Tamayo, conseguiram que Raúl Castro começasse a destrancar as celas. Sem o empurrão proporcionado por eles, os sete anos de detenção suportados por aqueles que foram detidos durante a Primavera Negra de 2003 poderiam ter se convertido numa década ou até em meio século de condenação. No entanto, um homem decidiu fechar o estômago à bênção da comida para conseguir que eles voltassem a caminhar pelas ruas de seu país e a abraçar suas famílias. Quem o vê de perto comprova que se trata de um cidadão magro e comum, que um dia vestiu um uniforme militar como soldado de Cuba combatendo em Angola.
A mesma força de vontade que o levou a caminhar 13 km (em terras africanas) com uma bala cravada nas costas permitiu a ele manter até poucos dias atrás sua recusa em se alimentar. O terreno onde se deu o persistente protesto foi seu próprio corpo que é, afinal, o único espaço que lhe restou para protestar.
Publicado n' O Estado de São Paulo, em 13/07/10 (tradução de Augusto Calil)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
"A gente se vê por aqui"
A candidata à Presidência da República pelo PT*, Dilma Rousseff, foi recebida hoje em almoço na casa de Dona Lily Marinho, ao lado de socialites cariocas e esposas de empresários. A cicerone disse que "ela tem coragem de fazer política!" (mais aqui)
Perguntinha inocentinha: foi elogio ou crítica?
Foto do bangalô de Lily Marinho, dona da Rede Globo. O modesto chateau, localizado no bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, tem área construída de 2.400 m2 em terreno de 3.700 m2. O barraco ("à beira de um regato e de um bosque em flor") conta com 7 suítes (masters), 4 salas, cinema, 2 escritórios, 3 banheiros (exceto os das suítes), 2 cozinhas e 2 salas de jantar. Na área externa há 3 piscinas, casa para empregados, vinicola, garagem com vaga para 15 carros e jardim de 950 m2. [Foto e informações sobre a casa daqui]
(*) Também conhecido como Partido dos Trabalhadores, inimigo mortal do grupo Globo e que, recentemente, promoveu na internet a campanha "um dia sem a Globo".
Perguntinha inocentinha: foi elogio ou crítica?
Foto do bangalô de Lily Marinho, dona da Rede Globo. O modesto chateau, localizado no bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, tem área construída de 2.400 m2 em terreno de 3.700 m2. O barraco ("à beira de um regato e de um bosque em flor") conta com 7 suítes (masters), 4 salas, cinema, 2 escritórios, 3 banheiros (exceto os das suítes), 2 cozinhas e 2 salas de jantar. Na área externa há 3 piscinas, casa para empregados, vinicola, garagem com vaga para 15 carros e jardim de 950 m2. [Foto e informações sobre a casa daqui]
(*) Também conhecido como Partido dos Trabalhadores, inimigo mortal do grupo Globo e que, recentemente, promoveu na internet a campanha "um dia sem a Globo".
quinta-feira, 8 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
IRMÃOS SIAMESES
A diferença entre os dois? Dunga sai antes da final; Lula só depois da eleição...
Segundo o ótimo jornalista Ricardo Noblat "um dos encantos do futebol é que nem sempre vence o melhor time. Por mais que jogue bem, pode perder. Na política, vence quem joga melhor (todas as citações daqui)". Joga qual jogo? O do embuste, da propaganda descarada, do factóide?
Noblat acha que Dunga e Serra são parecidos. Pois eu acho que Dunga e Lula são irmãos siameses. "Dunga não faz a menor questão de parecer simpático." Lula faz - e geralmente da pior forma: atribuindo aos que se lhe opõem o papel de antipáticos. Os outros fizeram a privatização. Ele reestatizou? Não! Os outros quebraram o país. Ele mudou a política econômica? Não! Mas por que ele é simpático e os outros não?
"[Lula] e Dunga cultivam a paranóia de que a mídia os persegue. Se não persegue pelo menos não os trata com a devida consideração. Da mídia, os que precisam dela cobram adesão incondicional. Adesão disfarçada não os satisfaz. E reclamam quando não têm. Dunga e [Lula] reclamam de barriga cheia – mais [Lula] do que Dunga." Como podem notar os observadores leitores concordo quase integralmente com as sentenças do jornalista acima, apenas trocando Serra por Lula. Mas no caso de Lula a "paranóia" é muito pior: desde o início do governo (lembram-se do caso Larry Rohter?) o presidente flerta com o chamado "controle social da mídia". O exemplo mais gritante não é a aprovação do "Plano Nacional de Direitos Humanos", restringindo as liberdades de expressão e imprensa, mas a estapafúrdia tese de que foi uma "tentativa de golpe" o episódio conhecido por Mensalão.
"Os dois armaram seus times para jogar na defensiva." Ociosa a demonstração para o caso de Dunga; no de Lula a candidata, que até deve ter lá os seus méritos, é apresentada como um mero fantoche. De tal modo que não sejam possíveis comparações entre candidatos, mas entre estes e Lula. Dilma não é candidata à Presidência, mas candidata de Lula. Não consigo imaginar retranca maior...
Mas Dunga e Lula são siameses sobretudo porque dependeram, para alcançar os altos índices de aprovação (antes da eliminação da Copa, claro), de uma combinação muito especial de mediocridade e sorte. Bem, sorte não é para sempre, como demonstraram os holandeses. Infelizmente mediocridade sim...
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