sexta-feira, 19 de junho de 2009

O POVO, UNIDO...


Passeata dos cem mil, Rio de Janeiro, 1968.

O povo

100 mil pessoas ontem, na passeata em Teerã, em protesto contra os desmandos do Estado teocrático naquele país (mais aqui). Talvez a mais importante notícia nesses tempos em que as "notícias" são produzidas conforme o gosto do cliente...

Alvissareira e animadora, torço para que represente uma lufada de liberdade no mundo islâmico que, à exceção da Turquia, ainda vive em trevas medievais, no que respeita aos mais básicos direitos e garantias da pessoa humana. Analistas apontam a web (especialmente o twiter) e não os jornais ou jornalistas como a principal responsável por se conseguir transpor a truculência daquela ditadura e levar o povo às ruas.

Perguntinha que não quer calar: será que tem twiter em Cuba?


Os sindicalistas
Algo singelamente diferente ocorreu, também ontem, em Sampa. Pouco importa que tenham sido 1.000, 1.500 ou 3.000 as pessoas que protestaram contra a presença da polícia paulista no campus da USP (mais aqui). Pouco importaria se fossem absurdos 100.000: vivemos em pleno estado democrático de direito, há canais institucionais (políticos e jurídicos) para suportar qualquer tipo de reinvidicação e a desocupação do campus pela polícia se deu após determinação judicial. Em outras palavras, os ocupantes não passam de pessoas que resolveram infringir as leis vigentes em favor de suas "causas". São proto-bandidos!

Mas o pior é que mancham nossa história: no passado recente (décadas de 1960 a 1980) inúmeras foram as passeatas de estudantes universitários em defesa das liberdades e da democracia que esse bando joga no lixo. Liberdades e democracia estas, cujas conquistas tiveram alto custo, inclusive em vidas de muitos estudantes universitários...
Para uma opinião diferente da minha recomendo a leitura de post da Udi, aqui.


As corporações
Já anteontem, em Brasília, decisão do STF (por 8 X 1) derrubou a exigência de diploma para jornalistas trabalharem (mais aqui). Ao tradicional febeapá que se instalou já se somam manifestações coletivas públicas de repúdio à decisão (mais aqui).

Prevaleceu o mínimo bom senso de considerar a liberdade de expressão acima de regras ditadas por corporações, como se fossem guildas medievais. Há algumas semanas debati longamente esse assunto no blog da Calila das Mercês (leiam aqui) e mantenho a opinião lá exposta. Para uma visão diferente da minha recomendo post da AP (leiam aqui).


A cachorrada
Ah, deixa pra lá... rss
.

25 comentários:

  1. Eita moço combativo, sô!
    Opinião diferente não significa contrária.
    Obrigada por dispor da sua clareza com as palavras para dizer o que eu gostaria de ter dito quando postei (passionalmente) a foto dos estudantes versus polícia, dentro da USP.

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  2. Ei Udi,
    claro que não; apenas diferente. Mas se fosse contrária, em nada mudaria o respeito, a admiração e a amizade que tenho pela parceirinha...

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  3. No caso do Irã, caiu minha ficha quanto ao papel da internet na democratização da informação. A teocracia é uma das coisas mais nefastas da história humana, e as regiões onde ainda ela predomina fazem parte de um mundo atrasado que não tem mais lugar na face da Terra. Implodirá pelo crescimento da ciência e pelo uso mais intensivo da razão.

    Duas coisas que não suporto mais. Manifestação de rebeldes sem causa e discurso de sindicalista pelego.A avenida Paulista é atualmente o maior palco de desfile de antas desocupadas e descompromissadas com o trabalho.

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  4. Um exercício democrático de alto gabarito: Uma opinião com o seu contraponto à distância de um clic...

    Parabéns!

    Abraço.
    António

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  5. Japa,
    com todo respeito às pessoas religiosas, mas aqueles aiatolás são um bando de fdp; já vão tarde...
    E aqui continuamos no fim (ou no cu) do mundo: faria sentido passeata contra os vândalos fascistóides que querem ganhar na marra...

    Tapadinhas,
    agradeço o generoso comentário e digo que faz diferença, vindo de uma pessoa ilustrada como você. Vou ser franco: não vejo a menor graça nos blogs (e blogueiros) que não suscitam o diálogo e o debate e encastelam-se em posições cristalizadas para seus micro-públicos.
    O dia em que este bloguinho perder tal característica, pretendo fechá-lo.

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  6. A cachorrada não deixa pra lá:

    http://www.youtube.com/watch?v=_uCC-venMtU&feature=related

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  7. Ora, Portuga,
    a carruagem passa... rss

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  8. Ora, Brasuca,

    mas levanta o pó e deixa as marcas dos rodados.

    http://www.youtube.com/watch?v=xyN1A2IOtbA

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  9. Vai ver é por isso que a cachorrada continua latindo... rss

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  10. Este teu post me lembrou de qdo fui refém, em minha sala na universidade, de um bando de estudantes e professores covardes que pra invadir a reitoria tiveram que trazer junto outro bando de MSTs com paus, fóices e, pasmem, crianças!!! Invadiram, quebraram, nos fizeram reféns pra que???? Pelo prazer da violência... Ai que ódio me dá de pessoas que não sabem fazer protesto com princípios e por ideias coerentes!!

    Bjos e bom findi...

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  11. O Povo Unido Não seria vencido por fdp FASCISTAS que Conseguem desunir o POVO, deseducando-o!

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  12. Anne,
    temo que seja mais grave: cada vez que são usados esses métodos, num ambiente de normalidade institucional (como é, felizmente, o nosso caso), atenta-se contra o estado de direito...

    Peixe-Zarolho,
    bem vindo!
    Agradeço o comentário, com o teor do qual concordo integralmente.

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  13. Pois rm... E eles lá sabem o que é isso?????????????? Com a desculpa de trocentas explicações sem fundamento, sem nexo e sem coerência andam por aí só destruindo!!!!! Grrrrrrrrrrrrrrrrrr

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  14. Ei Anne,
    a estudantada sabe não; mas parte das chamadas "lideranças" despreza mesmo as instituições democráticas.

    Como falei; bando (coletivo de bandidos...)!

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  15. se as lideranças desprezam a democracia e o estado de direito, que fazem os cidadãos que sabem não poder usar as "armas" democráticas? neste contexto, talvez defenda a desobediência - pois se há quem esteja acima das leis e da democracia, nós, povo, só podemos combater na mesma moeda.

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  16. em tempos havia revoluções! agora só vejo medo e paspalhos, gente que se pronuncia ao sabor dos ventos da conveniência pessoal, nem que isso implique a incoerência, corrupção e vassalagem.

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  17. Prezado Peixe-Zarolho,
    falei que PARTE das lideranças sindicais que estiveram à frente desse movimento com FINS POLÍTICOS, deve desprezar as instituições democráticas, uma vez que preferiram ações ao arrepio daquelas.

    Não entendi sua pergunta. O uso das "armas" democráticas é, no mais das vezes, um aprendizado que demanda várias gerações.

    Concordo, em tese, com a solução apresentada. Mas no presente caso, acho mais razoável a aplicação do rigor da lei...

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  18. Peixe,
    só li seu comentário complementar depois de postar minha resposta.

    Concordo integralmente.

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  19. rm,
    eu estou numa realidade portuguesa, em que um tirano de falinhas mansas, quando convém, manipula o povo. desculpe se "avancei" o seu contexto brasileiro. e ainda não desacredito os sindicatos, embora sejam estrutura política, e política em portugal se chama corrupção... mas os que poem em c ausa os sindicatos o fazem por oportunismo maior.

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  20. rm,
    os sindicatos só podem ou devem propor acções conforme à lei. mas há que ver e escutar os sinais. há que, muitas vezes, ir além da lei - fazer a JUSTIÇA com as pps mãos (não entenda cm violência física, nada disso). as mãos de que falo são a RAZÃO estar do "nosso" lado.quando abdicamos disso estamos mortos.

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  21. Peixe,
    não conheço a conjuntura em Portugal e não duvido que você tenha razão ao afirmá-la nos termos descritos.

    No Brasil o sindicalismo nasceu pelas mãos do Estado (Estado ditatorial, nos anos 1930-1940) e com ele sempre manteve uma relação de incômoda mancebia. Exageradamente politizadas (em termos partidários) as atuais centrais sindicais brasileiras são pequenos feudos que servem a interesses eleitorais (na melhor das hipóteses).

    No caso em tela há um governo (do estado de São Paulo) eleito democraticamente e não consta que tenha praticado nenhuma ilegalidade.

    Este governo, ao qual pertence a USP (a mais importante universidade brasileira) teve seu patrimônio (na verdade, patrimônio público) ameaçado por um bando que ocupou a reitoria da instituição. Por seu turno, foi à Justiça pleiteando a desocupação. A Justiça concedeu e a polícia cumpriu a determinação judicial.

    Simples assim!

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  22. Ahh, "mim" não tá a fim de falar de política em plena manhã ensolarada de domingo, não !! Esses putos não vão conseguir me tirar do sério !! Pelo menos, agora de manhã ... já à noite na hora do Faustão, eu não "agarantio" nada !! rs
    Perguntinha curiosa: e aquele sofrido povo lá do "desoriente" médio, tem tanto acesso assim a computers ? Imagino tanta miséria e pobreza na sua maioria ... Claro que houve divulgação pelo twiter, mas talvez a " revolta espontânea" e um pouco de "boca a boca" tenha sido suficiente pra que o povo fosse às ruas protestar, né não ?!
    Beijos dominicais !!
    Helô

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  23. pois. falamos "continentes" diferentes... aqui há sindicatos e sindicatos... e o governo ilegaliza e atropela constituições, direitos básicos e leis, despachando ao domingo!!! enfim, aqui o cidadão é insultado diariamente e aqueles que deviam ter o poder para retaliar, com a razão, nada faz... a não ser acomodar-se porque quem tem tutu tem medo...
    obrigada pela troca de ideias. estarei mais atenta à realidade brasileira. aqui se dizia: "ainda não chegamos ao brasil!"... ahahahahh.
    neste momento não há a quem nos equiparar! o terceiro mundo é mais equilibrado, racional e civilizado do que NÓS!
    abraço apolítico.

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  24. (não) queiram conhecer a realidade "impossível" de portugal!...

    http://www.youtube.com/watch?v=MRDh-5aEKkg

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  25. Helô,
    perguntinha "nua e crua", heim? rss
    É bem possível que você tenha razão, embora o Irã não seja propriamente um país "pobre". Ademais, é uma ditadura que controla ferozmente os meios de comunicação tradicionais. Assim, suponho que a web deva mesmo ter tido alguma importância; até para comunicar sobre os locais e horários das manifestações.
    E falar de política aos domingos pela manhã é mesmo o fim. Sorry, mas o post tava aí desde sexta... rss
    Mas vou fazer um novo, sobre música e poesia, ok?

    Peixe (aparentemente do sexo feminino),
    eu que agradeço o diálogo informativo e educado.
    Na verdade suponho que a longa noite salarazista ainda sobreviva às instituições democráticas que, faço votos, prevaleçam na terra irmã.
    Inacreditáveis os diálogos no video que você recomendou. Infelizmente não creio que sejam muito diferentes dos que eventualmente ocorram aqui no Brasil. E acho que você tem toda razão: há que se protestar e punir, com o voto (quando não com a justiça), os responsáveis pelos descalabros.

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