domingo, 15 de fevereiro de 2009

A CRISE: ÓPERA BUFA - 2º ATO (1/4)



Na Itália de meados do século XVIII a ópera dividiu-se em duas classes: a séria e a bufa. A ópera bufa originou-se das cenas cômicas e intermezzos (representados em frente à cortina, entre um ato e outro de uma ópera séria). Os personagens eram pessoas comuns que retratavam as profissões e as classes sociais da época, pondo em cena figuras burlescas e uma música mais ligeira que a da ópera séria, ambas descrevendo situações cômicas do cotidiano. Distinguia-se da ópera cômica (gênero predominantemente francês), na qual o diálogo era falado e a ação não necessariamente cômica.


A ópera séria tinha seu enredo baseado em histórias de antigos reis ou em deuses da mitologia. Se apresentava muito elaborada, combinando várias cenas diferentes e a estas cenas se somavam grandes coros. Tinha também uma importante função social, oferecendo exemplos de bom comportamento, ética e moral. A ópera bufa era, como dito, de caráter ligeiro e burlesco. Mantinha grande parte do efeito dramático, mas freqüentemente se convertia em vulgar e comum. Esse estilo de ópera se tornou muito popular, dando aos cantores maiores oportunidades para exibir suas técnicas vocais.


Na ópera cômica, gênero tipicamente francês, as personagens, da "Commedia del'Arte", eram amantes, autoridades, velhos, arlequins, polichinelos e colombinas, entre outros. Já na bufa, os tipos eram grotescos, caricatos, facetos, patuscos, ridículos ou extravagantes. Geralmente escritas no falar do povo, estas óperas atraiam grandes audiências. Enquanto os enredos da ópera séria falavam de reis e figuras mitológicas, a bufa mostrava jardineiros bêbados, velhas empregadas ardilosas e professores de música conspiradores. Muitas óperas bufas eram sátiras da vaidade, estupidez e avareza. Ao invés dos sentimentos altivos, às vezes artificiais, da ópera séria, as bufas retratavam emoções corriqueiras como inveja e ciúme. [o texto acima é uma compilação dos artigos que podem ser lidos aqui, aqui, aqui e aqui]


Nesta última semana viu-se inaugurar o segundo ato da ópera em questão: a crise, que não existia, já passou. Algumas figuras grotescas voltaram à cena (outras, dela nunca saem, putz!) e novas extravagantes apareceram. Nas óperas bufas sempre havia seis personagens; três de cada sexo, todos amantes, mas como aquela categoria está a cada dia mais indefinida, vou omitir detalhes sórdidos. No caso presente temos uma voz de contralto e cinco de barítonos. Como de costume, o libreto é péssimo; mas a música é ainda pior... A seguir, apresento as personagens:


O Patife

O Canalha

O Bobo da Corte I

O Bobo da Corte II

A Megera

O Jardineiro Bêbado


Em posts subsequentes apresentarei as personagens (e os respectivos "casais") em detalhes. Mas podem arriscar suas identidades (menos os dois últimos, óbvios demais).
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23 comentários:

  1. E não é que o governo que você tanto esculhamba nos prestou um favor? Te trouxe de volta à blogsfera! Bem-vindo de novo!

    Abraços,
    Ana Paula

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  2. não pode com ele mas não vive sem ele, né?! sacumé! rs

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  3. AP, querida,
    agradeço a simpatia de sempre, mas creio que sua opinião não será compartihada por todos... rss

    Anônimo,
    seicumé não! Pode desenhar?

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  4. RM, não pode com o governo que oprime e "despota"...por isso sente tanta necessidade(DELE) de o denunciar . Por outro lado, sem ele governo, bom ou mau (que é mais ponto das vistas que outra coisa), a gente desgoverna e não evolui. Todas as referências são necessárias, quero dizer, não dispensáveis, pois o monstro que nos obriga a combatê-lo é, ao mesmo tempo, a razão nossa de viver! há monstros e há fantasmas... governo é monstro, mostrengo sei lá, mas é fácil atacar, fantasmas o negócio é outro, sei lá rm, nem sei desenhar! outro dia ouvi o seguinte desenho, coisa assim: "o importante não é que as crianças acreditam em dragões mas que acreditam que os dragões podem morrer"... que acha o bloguista?

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  5. só para acrescentar alguma "moral" ma minha maluquice, é, têm sempre uma moral nossas maluquices: eu acredito na morte dos fantasmas, não na dos dragões... o resto não digo! :-)

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  6. tudo o resto é FADO! rss. fui. me desculpe o despropósito, mas final de domingo com dores de dentes... não desejo!

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  7. Acho que o anónimo é da terrinha... rss

    E dou boas vindas!

    Mas não tenho necessidades de quaisquer espécie, em relação a este governo venal. Só me move o fato de eu não escutar uma única voz contrária aos disparates reincidentes. Como não tenho necessidades - nem tampouco borro as calças por conta da sua "popularidade" - me disponho a cumprir o papel de oposição.

    Dragões morrem, mas podem voltar...como fantasmas.

    (melhoras ao prezado anónimo)

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  8. meu conterrâneo...?! não entendeu? a ideia é essa, meu caro, morto o fantasma... dane-se o dragão!!! :-) volto mais vezes, provável que com menos dentes...

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  9. Muito bem.

    A história política do país é uma ópera bufa desafinada, com amplo e farto material, digna de um texto Brechtiano com toda pompa e circunstância, com atores caricatos dando vazão aos “talentos”, que remontam desde a chegada das caravelas de Pedro... (eu disse Pedro! rs)

    Mas o cenário atual está mais para um western spaghetti de Sergio Leone, na chamada Trilogia dos Dólares, em que não há um mocinho leal e politicamente correto e o nosso anti-herói parece estar cercado dos 300 picaretas (aqueles do clarividente comentário), além de ladrões e xerifes corruptos... E bem sabemos em busca de quê...

    E como tudo é possível neste país, em época de folia e samba-enredo, vamos, com o malandro da ópera, sair cantando por aí “Vai passar”...


    PS: Depois da tentativa frustrada de unir forças para evitar a hecatombe, eis que surge o RMau ainda mais venenoso e peçonhento. Ora, Viva! (rs)

    Beijos e bom retorno, canastrão (rs)

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  10. Ei Dra Cora,
    eu que dou vivas ao retorno da comentarista número um desse bloguinho de venenos.

    Continuo achando que a senhora poderia, além dos comentários inteligentes e contributivos, também criar seu próprio blog, no qual teria mais liberdade para abordar temas de sua preferência. Mas este espaço continua aberto à sua opinião, inclusive na forma de posts assinados. Claro, também a todas as outras leitoras especiais que tive a sorte de conhecer e a amizade cultivar.

    Quanto ao comentário, não sou tão benevolente quanto a senhora. Não há mocinhos nessa história (muito menos a linda música de Moricone); só bandidos. Nos filmes até os bandidos tinham certa ética (tal qual outros "ilustres" representantes da Sicília) - e o nosso anti-herói só compartilha com o de Mário de Andrade a falta de caráter.

    (continuo impressionado com sua resistência aos braços de Morfeu... rss)

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  11. =)

    Sou um zumbi em estado catatônico...

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  12. Humm... Ela disse "Pedro" e "canastrão"... Que estranho!

    Mr. Almost II

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  13. Ô Portuga,
    cê tem certeza que essa Cora não é a Amèlequinha disfarçada? Hã? rss

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  14. Ou então que esse tal de RM é você!!!

    (quaquaqua)

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  15. RM,

    Só teria certeza perguntando a ela se alguma vez sonhou dezoito vezes com quindins numa única madrugada...

    Seja quem for, é das que dorme de noite... O que é bom sinal.

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  16. RM!

    "A mèlequinha"??

    O.O...(rs)

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  17. Almost II

    Nada disso... :D

    Quindim, um doce de rinoceronte - personagem do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato.

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  18. Cora,

    Claro que você não é a "Amèliquinha", nunca acreditei nisso (a brincadeirinha foi do RMau); Você tem um discurso muito diferente, um raciocínio mais associativo e mais referente, e uma personalidade "matreira" e "fria", ao contrário da Amèliquinha que tem essencialmente um carácter de brincalhona romântica, de uma alegre "pisa na bola" (Por exemplo, a Amèliquinha jamais discutiria política governamental no blog e jamais referenciaria o filme "Por um punhado de dólares" de Sergio Leone).

    Tenho fortes suspeitas (para não dizer a certeza) que você é a "D. Laila", aquela mocinha que, fazendo-se sonsa sem o ser, viajou no jacto do RMau e acho que, pelo tom afirmativo que imprime aos seus comentários, está - na vida real - ligada ao mundo jurídico.

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  19. Olá, RM:

    Não resistiu, né? Essa porra vicia, mesmo!
    Sobre o post em si, vamos ver se eu tô bão pra adivinhar:
    - O patife: Lula
    - O canalha: Lula
    - O bobo da corte I: Lula
    - O bobo da corte II: Lula quando toma umas e outras.
    - A Megera - Aí é sacanagem, logo a minha ex-amiga e futura presidente? Não está tão megera, assim.
    - O Jardineiro Bêbado: Lula.

    Pô, meu, só dá ele! Tô "maus" pras adivinhações.
    Bem-vindo de volta à blogosfera...

    Abraços

    MR
    16/2 - 13:56

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  20. "Brincalhona romântica, 'pisa na bola'"? rss

    Ó, falei nada, heim Mélinha! A brincadeirinha foi do Mr Portuga...


    Grande MR,
    acertou 2 em 6, até que não está tão mal assim (se fossem, por exemplo, cantadas; diria que está até muito bem!).

    Achei que você faria uma conexão entre escola francesa e o governo FHC e entre a ópera bufa e o governo Lula... Juro que não foi de propósito... rss

    Amanhã ou depois eu começo os "elogios"; é gente conhecida, pode crer...

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  21. Mr. Almost II,

    Que fria?! (sorriso sacana).

    Sou fresca!!!

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  22. Cora,

    Pois, pois, tão fresca que acho até que me pegou um resfriado...

    - Atchim!... Perdão.

    (Vou na farmácia pegar remédio para a constipação e já volto, ok?...)

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