sexta-feira, 31 de outubro de 2008

PQP!!! IMAGINEM O TAMANHO DA BOTINA...



"A não ser que me expliquem por que vai haver uma recessão no Brasil, isso não existe. Acho que nem a oposição acredita nisso." (Dilma Rousseff, ministra-chefona da Casa Civil da Presidência da República, hoje, no G1)



Amigas(os) leitoras(es):

Ao completar-se um mês de atividades deste chalezinho, resolvi, finalmente, estender seu prazo de validade... Cheguei a pedir a doce ajuda de uma dulcíssima blogueira, para uma leve repaginação, mas ela só poderá dar-me a mãozinha (handjob, rsss) no fim de semana.

E eu não poderia deixar passar em branco a mais nova cretinice, dita em nome do atual governo, por alguém que se pretenda representante máxima do próximo governo.

Tudo bem, não intento ofendê-la, insinuando eventuais preferências sexuais. Se ela for sapata, tô pouco lixando, não é este o problema (e não é da conta de ninguém)... Além disso, meu amigo decanão MR (que conviveu muito de perto com a figura... rsss), jura de pé junto que ela é chegada em comportamentos mais, digamos, ortodoxos. Mas, com todo o respeito, que ela não teria muitas dificuldades se fosse aprovado um imposto sobre a beleza (como sugere meu amigo Mr Almost), ah... isto não teria mesmo! (Acho que até o Serra é mais bonito que ela... rsss)

Muito bem, já que a ministra não sabe porque corremos sérios riscos de recessão, eu explico:

1- Ao contrário das crises financeiras mais recentes, esta não se originou na periferia do sistema, mas na maior economia do planeta. Que inevitavelmente fará ajustes. Em que medida e quanto tempo durarão, só esperando o negão assumir a presidência do Big Brother.

2- Sejam quais forem (e sua extensão) as medidas lá tomadas, não o serão no sentido da expansão daquela economia e do comércio internacional. É de se esperar efeitos negativos diretos, pela redução do fluxo de capitais e, indiretos, pela contração do comércio.

3- Em ambos os casos o Brasil é fortemente atingido, deixando de ter uma fonte barata de "financiamento" e sofrendo com a queda dos preços e volumes das exportações. E já não temos superávits comerciais há algum tempo, vale dizer, aquilo que a ministra chama de "diferencial" dessa crise, uma relativa folga cambial, tende a esfumar-se ao longo dos próximos meses.

4- A taxa de crescimento econômico é função do nível de investimento, todos sabem. Seria bastante razoável esperar que este, na sua parcela privada, se reduza em decorrência da crise. Pela piora do ambiente econômico e pelos impactos diretos sobre setores exportadores e outros atingidos pela crise internacional.

5- O investimento do setor público (federal), aquele amontoado de projetos mequetrefes que ganhou o nome de PAC, nem de longe seria capaz de compensar uma esperada queda do investimento privado. Isto, supondo-se que ele fosse efetivamente implementado, o que parece mais remoto que o Quércia deixar Aécio candidatar-se à Presidência pelo PMDB...

6- A equipe de governo de Lula, especialmente a econômica, parece ter o dom da palavra, no pior sentido possível. Falam pelos cotovelos, aos borbotões, uma coisa de manhã outra à noite... E a ministra parece que é do mesmo time. Ou seja, como se não bastassem os problemas reais, ainda há um bando de boquirrotos a provocar mais instabilidade e insegurança.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

RESULTADOS DA ENQUETE SOBRE AS REITERADAS PÉROLAS DE MANTEGA

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A referida enquete foi um retumbante fracasso de participação. Apenas 4 leitores se dignaram a marcar a bolinha, num claro recado ao blogueiro... Ainda assim gostei e achei que valeu a pena postá-la; melhor que o silêncio absoluto.

Sim, foram dados 5 votos, mas um deles fui eu mesmo a marcar. Cravei na última opção, por razões que explicarei adiante. A opção que tratava da linda filha do ministro recebeu um voto (provavelmente do Mr Almost) e era só pra zoar mesmo, já que não dá pra levar a sério esse governo... Além disso precisei improvisar porque não coube o texto completo que previra: "acha que a filha dele, Marina Mantega, tem uma beleza contagiante e mesmo se tiver algum problema psicológico, isto não fará a menor diferença." (rsss)

Vamos então aos 3 votos que concordaram com a opinião do ministro. Ora, são duas verdades insofismáveis aquelas que dizem existir um forte (e não apenas "um pouco") componente psicológico nas crises financeiras e sim, o comportamento dos agentes econômicos pode mesmo originar profecias auto-realizáveis.

Mas isto não expressa muito bem o que vem ocorrendo no Brasil. Em primeiro lugar já há, concretamente, efeitos reais na economia: o câmbio depreciou-se em cerca de 15% no mês corrente (chegando a um pico de 30% faz pouco dias, o equivalente ao que chamávamos, nos tempos de câmbio fixo, de "máxi-desvalorização"); a mudança nos preços relativos, causada pela variação cambial, sugere, obviamente, novas pressões inflacionárias; já há anúncio de decisões de investimento sendo, no mínimo, procrastinadas.

A própria administração da crise mostra o pouco talento dessa equipe econômica. Se há algo verdadeiramente globalizado são os chamados mercados financeiros. Assim, o que ocorre numa Bolsa de um tigrinho asiático qualquer, não deixa de afetar os mercados aqui. Pior ainda se for no mercado americano: a saída de capitais que afundou a Bovespa explica-se pela forte aversão ao risco, de investidores estrangeiros, que preferiram os títulos do Tesouro americano (rendendo juros "negativos") à arriscarem o rabo em Terra Brasilis, mesmo com taxas de juros astronômicas...

Ora, instituições financeiras, no mundo todo, sofreram e ainda sofrem, com a falta de liquidez. Uma eventual crise bancária não está descartada em nenhum lugar do planeta, aqui também. Adianta nada falar que o sistema bancário brasileiro é robusto e outros trololós; se a coisa vier mesmo pra valer, manda os "robustos" ao chão, em poucos dias.

Ninguém sabe ainda, em sã consciência, até onde irá e até quando durará a crise financeira internacional. Mas só um imbecil pode defender que ela não seja grave e não exponha a riscos muito sérios o país. Aliás, o próprio ministro da Fazenda mudou o discurso ontem, ao afirmar (ao contrário de tudo o que falara até agora) que os efeitos da crise serão graves. Recuperou a sanidade o ministro? Temo que não; é só discurso alarmista para facilitar a aprovação das medidas (muito controversas) em votação no Congresso Nacional.

Na última opção da enquete também não coube o texto original. Era: "acha que o blogueiro deve fechar logo esse blog e parar de encher o saco antes que seja processado por estimular ataques especulativos contra a moeda nacional." Crime previsto no Código Penal brasileiro, sob o título de crimes contra a ordem financeira. Sinceramente? Acho que é o ministro que deveria tomar cuidado para não ser processado por este ilícito penal.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

PÔ, ASSIM NÃO DÁ!

.........................Marina Mantega, 26, filha do ministro da Fazenda.

Já tinha resolvido fechar essa birosca aqui, mas os patetas do governo federal não deixam...

Ouviram a última do Mantega? Disse, sua excelência ministro de Estado da Fazenda, em alto e bom som, que o impacto da crise financeira mundial no Brasil é psicológico!!! Textualmente: "O contágio é um pouco psicológico, diante do quadro internacional muito forte nos Estados Unidos".

Ué, não seria o mesmo caso da Europa e da Ásia (e afinal, do resto do mundo)?

Mas não, não ficou apenas nessa gigantesca asneira. Continuou: o consumidor não pode ter medo de ir às compras. "Se todo mundo ficar preocupado e ficar com medo, aí é que vai criar um problema econômico, porque as pessoas vão deixar de consumir e vão reduzir o nível de atividade".

Não acreditam? É mesmo inacreditável, mas é verdade. Leiam aqui e aqui.

Seguinte, amigas (e amigos) leitoras: sem neura, sem alarmismo, sem desespero, mas alguém aí ainda tem dinheiro na Bolsa (e na bolsa)? Renda Fixa (lingiere de renda)? Pé de meia (fina)?

........................................................O pai da Marina.

Sobre o tema, "favoire" votar na enquetezinha ali ao lado (vai ficar só um dia e é fácil, é só marcar a bolinha...).

sábado, 25 de outubro de 2008

AVISO ÀS NAVEGANTES

Aos navegantes eles, por mim podem se afogar (rsss).

Brincadeira, aviso aos amigos:

"Cumpre-me o doloroso dever de informar que este chalezinho nas montanhas interromperá, temporariamente, suas atividades. Período no qual seu mantenedor (que vem a ser o mesmo que aqui vos fala) avaliará da conveniência de reabrí-lo ou se, ah, you know, you know!"
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A Gerência. Obrigado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

QUASE UMA BALZACA

Para K, menina-moça quase chegando lá

“O ápice da vida amorosa de uma mulher”.

Foi o que disse Honoré de Balzac, em 1830, obviamente referindo-se àquelas jovens (?) nascidas pelos idos de 1800.

De lá pra cá muita coisa mudou, não? As tais senhorinhas, educadas (quando muito) para as tarefas do lar, já haviam tido uma penca de filhos, os mais velhos dos quais, provavelmente em vias de também se casarem e deixarem a sombra materna. O desgaste físico e as inevitáveis marcas do tempo, a plena maternidade, a ainda mais plena maturidade e as contradições do desejo e da cultura oitocentista são o veio básico no qual garimpava Balzac.

Zulma Carraud, amiga de Balzac, disse-lhe certa feita, em carta: “Você tem uma inteligência da mulher que nunca foi dada a nenhum outro homem... Ainda há algumas misérias desse pobre sexo que lhe escaparam; mas, decerto, nunca um homem conseguiu entrar mais fundo na existência delas...”

Será mesmo, Monsieur Balzac? Cerca de duzentos anos depois, creio que o célebre autor francês se espantaria: jovens e torneados corpos, melhor grau de instrução (na média) que os homens, profissionais fora do lar (ainda que pior remuneradas que aqueles) e, diferença mais notável, sem prole e solteiras. E muitas delas assim desejando permanecer...

Mas e no íntimo, por dentro mudou muita coisa também? Ou será que pouco importa e urgem as mesmas necessidades na vida dessas mulheres: casar, ter filhos, quem sabe, até netos. Ou será que mudou também a moral romântica? Produção independente, “ficante”, amante, amizade colorida, reserva de manutenção, homens casados (ops, tô dentro, rsss), homens bem mais jovens, ou velhos, celibato involuntário, outras mulheres?

Não me arvoraria em receber carta de igual teor de alguma Madame Carraud, mas intuo fortemente que, aos poucos, aparece uma “nova” mulher, mais ou menos na faixa dos trintinha que, entre outras características, se expõe muito mais que aquelas de gerações anteriores. E algumas delas ainda escrevem bem pacas...

A trilha musical tem mais de trinta anos e foi composta pelos irmãos Marcos e Paulo Valle, numa época em que “juventude” significava bem mais que uma calça jeans, velha e desbotada e algumas mulheres ainda queimavam sutiãs.

 Claudia - Com Mais de Trinta - Claudia - Com Mais de Trinta


Não confio em ninguém com mais de trinta anos/Não confio em ninguém com mais de trinta cruzeiros/O professor tem mais de trinta conselhos/Mas ele tem mais de trinta/Não confio em ninguém com mais de trinta ternos/Não acredito em ninguém com mais de trinta vestidos/O diretor quer mais de trinta minutos/Pra dirigir sua vida/Eu meço a vida nos coisas que faço/E nas coisas que sonho e não faço/Eu me desloco no tempo e no espaço/Passo a passo faço mais um traço/Faço mais um passo traço a traço/Sou prisioneiro do ar poluído/ O artigo trinta conheço de ouvido/Eu me desloco no tempo e no espaço/Na fumaça um mundo novo eu faço/Faço um mundo novo na fumaça.
..
Ah, como sempre faz a gatíssima (e talentosíssima) blogueira K: e vocês, confiam em quem tem mais de trinta? Na K eu confio...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

CRISE? QUE CRISE? (3)


Ministro explica como deverão ser simples as operações de socorro às instituições financeiras brasileiras, que afinal nem eram mesmo muito necessárias, né?

"Não tem banco quebrando no Brasil. Não tem corrida ao redesconto."

(Guido Mantega, ministro da Fazenda, em 22/10/2008, na Câmara dos Deputados)

VERGONHA

Faltava apenas o depoimento da refém sobrevivente ao trágico desfecho do recente caso em Santo André, para que os crédulos desconfiassem que a polícia paulista cometeu mais uma das suas, na já longa lista que teve seu auge na chacina do Carandiru. Ah claro, os crédulos e aqueles que também acreditam em duendes, fadas, Papai-Noel...

Mas não bastaram as sucessivas trapalhadas e lambanças perpetradas pelos responsáveis pelo caso; ainda buscaram o último refúgio dos covardes, a mentira que os livrassem da culpa, enfim escrachadamente exposta. Depoimentos de vizinhos do apartamento, colhidos não se sabe em que circunstâncias, e propalados aos quatro ventos pelos meios de comunicação; davam conta de que foram ouvidos disparos antes que a polícia invadisse o local do cativeiro, afinal justificando a decisão tomada.

Não ocorreram, foi a resposta da moça que se recupera dos ferimentos vitimados por disparo do sequestrador. Antes dela, análises de conhecido e respeitado perito da Unicamp também indicavam que a polícia tivera motivações outras que a apontada, já que não se comprovavam disparos antes do estrondo dos explosivos usados, mais uma vez de forma incompetente, para derrubar a porta. Tudo leva a crer, portanto, que intentou-se lograr a opinião pública e confundir a Justiça.

Falta de comando, de recursos materiais, de preparo e de competência tem jeito. Indiscutivelmente. Acho que até falta de ética e de caráter consegue-se se ajeitar, fazer o quê... Mas falta de vergonha na cara não há como sanar. As 3 principais autoridades na linha de comando, em última instância responsáveis pelas ações desastrosas, são o secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão; o comandante-geral da PM, Coronel Roberto Diniz; e, o comandante do Batalhão de Choque (a que está subordinado o GATE), Coronel Eduardo Félix.

Como se espera que o governador do Estado, bundamolemente, nada deverá fazer, sugiro aos mencionados e aos demais envolvidos, que em defesa de suas biografias e em honra de suas calças, peçam demissão.


ATUALIZAÇÃO (24/10/08 às 20:30 hs.)

O confronto entre a polícia paranaense e ocupantes de um terreno objeto de ação de despejo ontem, em Curitiba, resultou em atuação exemplar do governador Roberto Requião e do secretário de segurança pública, Luiz Fernando Delazari.
Não, não morreu ninguém. Nem se observou o show de incompetência explícita que houve em SP. Apenas o já tradicional "abuso" no uso da força, provocando feridos por balas de borracha e bombas de efeito moral.
Ainda assim foram afastados os comandantes da operação, o comandante do Policiamento da Capital, coronel Carlos Alexandre Scheremeta e o comandante do 13.º Batalhão da PM, major Flavio Correia.
Sei que tanto o governador Requião quanto o secretário Delazari são personalidades públicas controversas. Mas nesse caso específico, como afirmei, tiveram comportamento exemplar.

Enquanto isto, em São Paulo, o secretário... como se chama mesmo? Aliás, SP tem secretário de segurança pública? E governador, tem também?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

"MASHUP"



Este é o nome (mash up) da brincadeira feita por DJ's e consiste em combinar músicas diferentes que tenham harmonia e métrica compatíveis. Em geral resulta porcaria, mas em alguns casos a combinação é fantástica, pelo inusual ou inusitado.

É o caso dessa "mistura", combinando "Tomorrow never knows" (Lennon-McCartney), uma das mais psicodélicas canções dos Beatles; com "You Only Live Twice ", do filme de título homônimo (no Brasil e em Portugal chamou-se "Com 007 - Só se vive duas vezes"), cantada por Nancy Sinatra. (Quem quiser ver um clipe do filme, clique aqui)
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A "nova" obra chama-se "You Only Live Tomorrow" e é assinada por um DJ que se autodenomina CCC. Bem antes dele, George Martin, o "quinto beatle", cansou de fazer isto, inclusive no recente CD "Love", que é para beatlemaníaco nenhum botar defeito.

E como a música escolhida atende a beatlemaníacos e cinéfilos, vai dedicada ao meu amigo MR do Plano Geral. Claro, acho que também pode ser apreciada no Priorado, pelo Mr Almost, na hospedaria, pela Amèlie e em papos-calcinha com a Denise do Egito, por razões que, ah, you know, you know!

Ah, Mr Almost: cuidado com o Goldfinger, heim?

[e um agradecimento especial à dona Patty Diphusa, sem a ajuda da qual não teria sido possível este postinho]


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domingo, 19 de outubro de 2008

IMPROVÁVEL LIRISMO

Grosso, bronco, troglodita, cintura-dura, botineiro, escorpião... Ok, ok, estes são apenas alguns dos nomes (dos publicáveis) pelos quais costumo ser chamado. Parece, inclusive, que a lista foi acrescida recentemente (vide comentários do post anterior). Mas como dizia Caymmi, também tenho meu "momento na vida", também sei (juro!) apreciar o belo. Atualmente tenho me encantado pela chamada "literatura feminina".

A bem da verdade, sequer sabia que havia esta denominação, por gênero. Sim, sempre soube que os homens publicaram muito mais, do mesmo modo que tiveram maior participação em vários outros aspectos da vida social. Mas sempre atribuí a fatores culturais, não propriamente de gênero. O fato é que parece haver, inclusive, acalorado debate acadêmico sobre o tema. Ademais, formam-se grupos de escritoras, especializam-se editoras e prateleiras de livrarias, criam-se blogs... Elas querem falar e, mais precisamente, escrever.

Algumas análises apontam atributos comuns ao que se vem chamando de literatura feminina, como temática, linguagem e estilo próprios, caracterizando uma escrita nitidamente feminina. Segundo a ensaísta Vera Queiróz são femininos "os textos que apresentam determinadas marcas, que percorrem o campo semântico de falta, silêncio, indizível, confessional, subjetivo, íntimo, prevalência do eu-narrador, visão interior, esgarçamento do sentido da palavra e da ordem do discurso, dilaceramento da escrita, busca da identidade, descontínuo, atópico, atemporal, extático." No mesmo sentido, destaca Mauro Rosso: "fragmentação narrativa, intertextualidade, foco narrativo múltiplo, exploração dos mitos, do esotérico e linguagem do corpo." (quem quiser ler uma boa resenha sobre o tema, clique aqui)

Pretendo iniciar uma série com textos de escritoras, preferencialmente inéditas, que creio merecedores de atenção e escolhi, para inaugurar esse label, a escritora Eliana Mara. "Baiana" nascida em Sampa, 45 anos, doutora em Literatura e Cultura pela UFBA (da qual também é professora titular), divorciada, dois filhos e um neto. E centenas de textos publicados na web, nos quais é possível identificar várias daquelas (senão todas) características sublinhadas pelos especialistas, além de um punjente lirismo.

Ah, apenas por coincidência, ela é uma bela mulher e minha amiga. Com vocês, Elianinha!


MÃES

Eu disse, vociferando: Puta que o pariu. Ele me questionou, com o punho ameaçando um soco: E se eu te disser que minha mãe não é uma puta. Eu, com vontade não de apanhar, mas de morrer, respondi: Vai ficar o dito pelo não dito. A lojinha era escura. Eu entrei ali para comprar envelopes. Ele entrou ali para me roubar. Ele era muito alto. E eu, sempre pequena. Eu inclinei a cabeça para o alto, e nossos olhos se encontravam numa linha oblíqua. Ele me dava sinais de que havia uma arma. Eu decidi dizer tudo que me passava pela cabeça: você quer a minha bolsa, o meu dinheiro, os meus cartões, e eu vou esfregar isso tudo na sua cara, você quer me humilhar porque você é grande e hoje é meu dia de não aceitar mais humilhações, eu estou no meu limite, entendeu, e pode usar esta arma e usa agora, porque agora, antes de eu colocar essa carta definitiva no correio, é a melhor hora para morrer, e eu não tenho medo da sua altura, nem da sua faca, nem do seu revólver, eu quero que você me mate e me mate agora mas pára de encher meu saco e eu não vou gritar chamando a polícia porque a polícia me dá nojo, e eu acho que você pode me fazer este favor porque a sua eu não sei, mas a minha mãe é uma puta e eu quero que ela vá pra puta que pariu e leve todas as mães e avós deste mundo e leve junto todas as pessoas grandes que me ameaçam e eu só estou esperando, atira. Ele não atirou, ele não pegou a bolsa, nada. Ele saiu, a vendedora, agora sem cor nenhuma, me elogiou: nossa, que coragem a senhora tem. Eu olhei para a moça fraca que ela era e disse: vá pra puta que pariu você também. Sorte sua eu não estar armada.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

ELEIÇÕES 2008: A TRAGICÔMICA FESTA DA ABOBRINHA DEMOCRÁTICA

Antes que amigos nada venenosos insinuem; o escorpião não está em cima do muro e declara seu voto: votei - e, em princípio, votarei novamente - em branco em BH. Faria o mesmo se votasse em Sampa e em Gabeira se fosse no Rio. A eleição de Gabeira parece-me a única coisa verdadeiramente nova na já caquética democracia brasileira.

E ela mal chegou aos vintinhos, se assim considerarmos a promulgação da Constituição de 1988 como ponto de partida dessa fase de nossa história política (imaginem quando for uma balzaca, então...). Mas marcam-lhe os pés-de-galinha das regras eleitorais, que não há botox que disfarce; pesa-lhe a gordura, da estrutura partidária, a vazar-lhe pelas ancas; e, sequer lhe caem bem as roupas (e os demais truques de marketing político) de genuína perua, na qual se transformou.

Por partes:

Representante de quem, cara pálida?
Todos sabem que somos uma república federativa. Não, não somos divididos em condados ou feudos, isto não faz parte de nossa história política. Então, vamos combinar que esse trololó de voto distrital fica pra outro dia, tá? Mas, admitido que o sistema proporcional nos seja mais adequado, isto não nos obriga a conviver com um regime tão mal formulado, tão ineficaz. Ora, está exposta uma grave fratura entre representantes e representados no país - e já não é de hoje. Ou se obtém alguma forma de, dentro do sistema proporcional, melhor espelhar os setores e grupos a serem representados; ou o país continuará suscetível às intermináveis e sucessivas crises políticas que, não raro, surgem dentro dos próprios governos.
É impossível? Precisa de uma emenda constitucional? Ou de uma "reforma" política? Não, não e não. Basta uma mudança nos critérios que permitem alianças e coalizões partidárias e/ou do número de candidatos por vaga a ser disputada.
Um exemplo: em BH, uma cidade com quase 2,5 milhões de habitantes e mais de um milhão de eleitores, o vereador mais votado nessas eleições, obteve pouco mais de 15 mil votos. A maioria foi eleita com menos de 10 mil votos (isto só é possível pela extrema liberalidade com a qual a legislação trata as coligações partidárias). Ora, com todo o respeito, mas o quê ou a quem esses vereadores representam? Às negas deles, na melhor das hipóteses...

PdaBosta
No princípio era o verbo (rsss)... Depois vieram o MDB e a ARENA. Quando se permitiu a criação de novos partidos, o aprendiz de feiticeiro Golbery do Couto e Silva tirou da cartola a regra de que precisava ter um "P" antes de qualquer outra palavra ou letra. Do MDB sairam o PMDB, o PSDB, o PDT, o PSB, o PCB (depois PPS), o PT et caterva. Da ARENA sairam o PDS (depois PP), o PFL (depois DEM), o PTB e por aí afora.
Não sei quantos partidos há hoje no Brasil, mas sei que somam 2 ou 3 dezenas. Destes, os que citei acima perfazem o grosso dos partidos "sérios". O resto é legenda de aluguel, uma excrescência que a lei permitiu sob o argumento, implausível, de que era para proteger minorias e facilitar o associativismo.
Em todo o mundo, as democracias estabelecidas funcionam com não mais que meia dúzia de partidos, habitualmente, como no caso dos EUA e Reino Unido, com apenas dois. E não é proibido criar partidos por lá, inclusive também existem às pencas, mas só participa do jogo político quem, de fato, representa alguma coisa.
Bem, se não estiver enganado, uma mudança nesta regra também é possível via legislação ordinária, estabelecendo percentual de votos obtidos sobre a população como regra de existência efetiva dos partidos.
Por que isto é importante? Porque faz-se política atualmente no Brasil, a partir da descrença nos
partidos; como se fossem todos iguais, todos a mesma merda, portanto o que interessa é o candidato.
Lamento informar aos que discordam, mas não há um único exemplo de democracia sem um quadro partidário relativamente sólido.

Lux ou Rexona?
Não, candidato a cargo eletivo público não é sabonete e eleitor não é consumidor. Deveria ser cidadão.
A maior parte da propaganda eleitoral veiculada, especialmente no rádio e televisão, é risível, patética, grotesca. Perdeu a eficácia, se é que já teve algum dia. Algumas eleições serão decididas por detalhes esdrúxulos como a preferência sexual de um candidato ou outra abobrinha qualquer.
Radicalizei: acho que deve ser abolido o horário obrigatório e gratuito nos meios de comunicação.

Outras posições correlatas que defendo: sou contra o financiamento público de campanhas (e também ao privado, strictu sensu, não me parece legítimo que empresas possam contribuir) e passei a defender, depois dessas eleições, o voto facultativo (centralizada a justiça e o cadastramento eleitoral).

Retornando à questão inicial, voto em branco (por enquanto) em BH, por considerar que as deficiências pessoais dos 2 candidatos superam (e muito) os aspectos essencialmente políticos do pleito. Em Sampa me moveria o contrário, apesar de reconhecer nos respectivos candidatos também um sem-número de graves defeitos. No Rio, a perspectiva de chacoalhar o velho coronelismo (que se mistura à bandidagem) e a valorização de uma nova agenda, justificariam o voto em Gabeira, ademais de sua respeitável personalidade e trajetória políticas.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

VOZES FEMININAS (2)

Karen Anne Carpenter (1950-1983) era o nome da dona de uma das mais lindas vozes femininas que já ouvi. De suave e doce timbre, mais para contralto, mas com longa extensão até as notas mais agudas. Inconfundível e díficil de ser imitada.

Foi pop star nos anos 70 e 80, integrando a famosa dupla The Carpenters com o irmão e morreu precocemente, vitimada pela anorexia nervosa. Sua morte talvez tenha sido razão para que se pesquisasse mais sobre essa doença, tipicamente feminina e de causas ainda controversas. As explicações recaem, em geral, sobre as pressões culturais impostas pelo padrão feminino de beleza, sobre fatores psicológicos ligados à baixa auto-estima e, mais recentemente, sobre fatores genéticos.

Podia ter escolhido trocentas músicas. Escolhi "Calling Occupants of Interplanetary Craft" porque: a) gosto da música; b) a música ficou meio perdida ali nos anos 70; c) achei um clipe fantástico, que mescla o original com cenas de filmes de ficcção científica famosos.

Ainda sobre o clipe, em seu final há explicações sobre o nome da música. Ah, escolhi a versão legendada em favor dos leitores que eventualmente tenham alguma dificuldade com o idioma dos piratas, por exemplo, a Amèlie, a Beth, a Patty, o Mr Almost... (rsss)

A todos: "KLAATU BARADA NIKTU!"

domingo, 12 de outubro de 2008

ENQUANTO ISTO... NAS MONTANHAS.

A campanha para a Prefeitura de Belo Horizonte reveste-se, neste ano, de inesperados emoção e suspense, na já decadiana modorrenta política mineira.

Os candidatos peneirados pelo primeiro turno são Márcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB). O primeiro representa uma ampla coalização liderada pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT). A aliança abarca todo o espectro ideológico e ganhou, do primeiro turno, o apoio do candidato derrotado Sérgio Miranda (PDT). O segundo representa o partido atualmente liderado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa e contava, já no primeiro turno, com o apoio de parcela do PT, descontente com a referida aliança. A principal liderança dessa corrente é o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Para o segundo turno, acrescentou-se o apoio da candidata derrotada Jô Morais (PCdoB), chancelada pelo vice-presidente da República, José Alencar.

Lacerda, 62, é administrador de empresas e empresário bem-sucedido. Iniciou-se na política em fins dos anos 60, quando militou no PCB e na ALN e foi preso político por 4 anos. Pesam sobre ele graves denúncias e acusações que vão desde a gestão temerária e suspeita de suas empresas, ligadas ao setor de telecomunicações e, mais precisamente, à ex-estatal mineira Telemig; passando por suas doações à campanhas de determinados candidatos, como o ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) e, finalmente, às suas mal explicadas ligações com o chamado esquema do "mensalão", o que, mesmo não denunciado pelo Ministério Público, provocou a sua exoneração do cargo de secretário executivo (equivalente a vice-ministro) do Ministério da Integração Nacional, no primeiro mandato de Lula.

Quintão, 33, é economista e deputado federal. Apesar da pouca idade, já foi vereador em BH e deputado estadual 2 vezes.Também já mudou de partido 3 vezes. Sua carreira está associada à família: seu pai, Sebastião Quintão (PMDB), atual prefeito da importante cidade industrial de Ipatinga, foi parlamentar por diversas legislaturas; o mesmo ocorrendo, anteriormente, com seu tio, Geraldo Quintão. Evangélico, como o pai, contou com a base eleitoral da comunidade presbiteriana e deu tom emotivo à sua campanha. De 2006 até o presente, seu patrimônio declarado no imposto de renda, saiu da casa dos R$ 900 mil para a dos R$ 1,8 milhão. Outras acusações que lhe imputam seus adversários relacionam-se com seu perfil pretensamente conservador; de ser apenas um produto de marketing político e de apresentar propostas populistas e demagógicas.

A eleição em BH, a exemplo do que ocorre no Rio e em Sampa, não tem apenas importância local. A vitória do candidato Lacerda pode representar uma provável candidatura de Pimentel ao Palácio da Liberdade e de Aécio ao do Planalto, daqui a 2 anos. A vitória de Quintão abre espaço para a terceira candidatura de Costa ao governo de Minas, recoloca Patrus no comando do PT mineiro e enterra as chances de Aécio chegar à Presidência da República, sucedendo a Lula.

Hoje à noite a Rede Bandeirantes promove debates nas 3 capitais, com os candidatos ao segundo turno. Volto nos próximos dias para comentar o reinício da campanha e os resultados do debate em BH.


ATUALIZAÇÃO (14/10/08 às 22:45 hs.)

Retificação: o candidato derrotado no primeiro turno, deputado federal Sérgio Miranda (PDT), ex-PCdoB, declarou, hoje, seu apoio à Leonardo Quintão, mesmo com o apoio formal de sua legenda ao candidato oponente.

Também hoje realizou-se em BH, reunião entre o presidente da República em exercício, José Alencar (apoiador informal de Quintão) e o governador de Minas. Os meios de comunicação interpretaram como uma tentativa de negociação visando o Palácio da Liberdade em 2010.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

NUNCA TE VI. SEMPRE TE AMEI.

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Lamento desapontar quem pensa que o título acima tem a ver com a era da internet. O tema está em pauta desde, pelo menos, as famosas cartas de Platão. Mas é verdade que as relações humanas, mesmo as amorosas, parecem trilhar inexorável caminho de crescente virtualidade, a partir do desenvolvimento da rede mundial de computadores.

Há quem ocupe boa parte de seu tempo livre, especialmente as novas gerações, "teclando" "teclando" com pessoas, conhecidas ou desconhecidas, até mesmo com o propósito explícito de um eventual relacionamento afetivo, amoroso ou sexual. Tempo este dispensado, inclusive, em detrimento de outras atividades sociais que poderiam resultar na consecução de idênticos objetivos.

Salas de bate-papo, orkuts, MSN e outras ferramentas de mensagens instantâneas, sites de relacionamento e namoro e mesmo os blogs substituem, em parte, o que em passado bem recente se fazia nas festas, nos bares, nas casas de amigos, nos clubes e em outras atividades sociais não-virtuais. Recomendo a quem queira ter uma visão muito bem-humorada e escrita sobre esse pedaço da web, visita ao blog de minha amiga Senhorita Rosa, com o candelabro na biblioteca.

Mas o que me moveu a escrever esse postinho foi um texto de outra amiga, Maria Elisabeth, baiana e bióloga, bilíngue e bacana, cigana and bee. E com um especial pendor para as letras. Beth usou a expressão "serra que chora" em alusão à Serra da Mantiqueira, que divide os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. E à lenda tupi que lhe originou o nome.
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Não saberia dizer exatamente porque, mas me veio à memória outra música marcante em minha vida: "Serra da Boa Esperança", de Lamartine Babo, mais famoso pelas marchinhas de carnaval, mas dono de obra variada e belíssima. Esta música, além de linda, tem uma curiosa história e aqui, depois dessa longa introdução, começo, de fato, o post.



Auge da era do rádio, numa pequena cidade do sul de Minas, um jovem coleciona fotos autografadas pelos famosos cantores. Para obtê-las de homens, usa o artifício de pedí-las, em cartas, sob pseudônimo feminino. Assim começa a história de amor entre Lamartine Babo e Nair, esta última inspirada no nome real da sobrinha do jovem colecionador de fotos.

No entanto o famoso compositor nunca mandava a esperada foto e insistia, demonstrando carência e afeto, para que Nair continuasse a escrever-lhe. O affair ameaçou tomar proporções preocupantes quando o jovem convidou Lamartine para uma visita à cidade de Boa Esperança, ocasião em que esperava esclarecer a confusão.

Ao contrário do que se pode supor, a revelação não melindrou o compositor, que tornou-se amigo do missivista, visitou a cidade outras vezes e presenteou-a com esta linda canção, cuja letra foi escrita pelo jovem colecionador de fotos.

Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo/ Carlos Neto)

Fransico Alves - Serra da boa esperança


Serra da Boa Esperança, esperança que encerra/No coração do Brasil um punhado de terra/No coração de quem vai, no coração de quem vem/Serra da Boa Esperança meu último bem/Parto levando saudades, saudades deixando/Murchas caídas na serra lá perto de Deus/Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora/Deixo a luz do olhar no teu luar Adeus/Levo na minha cantiga a imagem da serra/Sei que Jesus não castiga o poeta que erra/Nós os poetas erramos, porque rimamos também/Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem/Serra da Boa Esperança não tenhas receio/Hei de guardar tua imagem com a graça de Deus/Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora/Deixo a luz do olhar no teu luar Adeus.


ATUALIZAÇÃO (11/10/08 às 10:45 hs.)

Como alguns ilustres leitores demonstraram interesse em conhecer um pouco mais da obra e vida do talentoso compositor, indico esse link, que contém completa e muito boa biografia.

Sobre sua vasta obra, acrescento que além das eternas marchinhas, compôs os hinos dos clubes de futebol cariocas (incluindo o Vasco da Srta. Rosa) e uma bela Ave-Maria que até hoje se toca nas primeiras comunhões e coroações. Além dessa que postei, é autor de pelo menos mais 2 clássicos da mpb: "Eu sonhei que tu estavas tão linda" e Rancho Fundo".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

CRISE? QUE CRISE? (2)

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, perdeu ótima oportunidade de ficar calado, ontem, em reunião da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional. O motivo da convocação foi, obviamente, debater as possíveis consequências da grave crise financeira internacional no orçamento da União.

Olha o tamanico da crise, ó!

Sua excelência, em tom pretensioso e arrogante, abusou da prerrogativa constitucional de falar asneiras, estultices e aleivosias. Vejamos alguns exemplos (se quiser ouví-lo de viva-voz, clique aqui):

- "É muito prematuro tomar qualquer rumo agora. Revisão orçamentária agora é prematura. Proponho que vocês continuem fazendo o trabalho com a proposta que está aí."

- " Acho que temos que levar a sério, mas não podemos ficar só ouvindo as pessoas que dizem que o mundo vai acabar amanhã, e ele não vai acabar."

- "Parece que há, por parte de alguns, uma indisfarçada torcida pela crise. Os mesmos que torceram no início do governo pela inflação e depois pelo apagão agora se agarram à crise".

- "Nós somos campeões em cortar e fazer superávits. Pentacampeões..."

- "A alta do dólar não deve permanecer por muito tempo".


Bem, pensei em tecer breves comentários, mas lembrei-me de uma frase de el Rei de Espanha que parece mais adequada:

- Ministro, ¿POR QUÉ NO TE CALLAS?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

VOZES FEMININAS (1)

Acho que tenho alma de músico. Algumas canções me marcaram profundamente, mesmo sem nenhuma aparente razão objetiva. Sequer musical.

É o caso de "Cantiga por Luciana" (Edmundo Souto / Paulinho Tapajós), linda composição lançada no (e ganhadora do) Festival Internacional da Canção, em 1969; quando eu tinha pouco mais de 6 anos. Não me lembro da primeira vez em que a escutei, mas recordo-me bem de um episódio que ilustra meu fascínio pela música: ainda muito criança, no único parque de diversões de BH (que ficava à beira da Lagoa da Pampulha), interrompi todas as brincadeiras apenas para escutar a música que tocava no sistema de alto-falantes do Parque Mangueiras...

Enchia-me - e ainda hoje o faz - de uma tristeza inexplicável. Não sei se pela melodiosa valsa em tom menor; não sei se pela linda voz de Evinha; não sei se pelo bonito arranjo em que sobressaiam os clarinetes; não sei se pela bela letra... Ousarei chamar aqui de tristeza pela beleza.

Nesse vídeo de 2007, quase quarenta anos depois do festival, a cantora mostra que sua voz - e ela mesma - continuam lindas. (De quebra vai antes, no mesmo vídeo, outra famosa "música de festival", "Andança", dos mesmos autores e ainda Danilo Caymmi)



Quem quiser conferir a versão original clique aqui ou aqui.

Postinho dedicado às minhas amigas, mais que virtuais, Luciana G e Luletras (Luciana Carvalho).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

CRISE? QUE CRISE?

As coisas não andam nada bem no mercado imobiliário dos EUA. Que tal investirem no Brasil, heim? Afinal, somos investment grade... .



PROCURANDO IMÓVEL???
Não perca esta oportunidade:
Lotes planos, terreno arborizado e linda vista
DEFINITIVA.

sábado, 4 de outubro de 2008

ENQUANTO ISTO... NO P(R)I(O)RADO

Pior homem: - Mr Almost, acha mesmo que o jatinho do cavalheiro Senhor Roney não é dos melhores?

Mr Almost: - Pior Homem, não precisa de medir... Precisa de pensar, ou melhor, de pesar!

Pior homem: - Mas como explica o sucesso do moço com as gatas da confraria?
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Mr Almost: - Sim. As reacções da mulheres devem ter a ver qualquer coisa com a sua personalidade. Se abstraírmos talvez compreendamos as razões das diferentes reacções em relação ao fenómeno. Umas ficam mais bravas, outras nem tanto...

Pior homem: - Não seria por que...
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Mr Almost: - Embora suspeito para falar, é fantástico: inteligente, rápido, letal, corajoso, destemido, afectivo, mas traiçoieiro... Eu explico: cada testículo está ligado...

Pior homem: - Poupe-me dos detalhes sórdidos, Almost.

Mr Almost: - Pior Homem, acha que dará certa a estratégia de eleger nova bond-girl? Será que a inominável sentirá ciúmes e me permitirá adentrar novamente a... hospedaria? Eu tinha direito até a suíte presidencial lá! Não me conformo, não me conformo...
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Pior homem: - Calma, Mr Almost! Isto já está lhe dando nos nervos... Parece até dor de corno. Assim você acaba pirado.
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Mr Almost: - Grrrr. Pára de me chamar pirado!



ATUALIZAÇÃO (05/10/08 às 13:00 hs.)

Um bocado alterado, Mr Almost resolve sair para desanuviar e tomar uma fresca. Depois de algum tempo, reconhece um vulto em sua direção...

Mr Almost: - Grande caboclo, o que faz tão longe das montanhas?

RM: - Amigo Portuga, saí para o jogging matinal e acho que exagerei um pouco na dose... Como vão as coisas no Priorado?

Mr Almost: - Ando algo preocupado, mineirim; desconfio que hajam elementos infiltrados a boicotar as acções beneméritas, por nós executadas. Já ouviu falarem na "Seita do...

E assim caminhando, estabelecida a prosa, horas se passaram e os dois amigos viram-se completamente perdidos, em região quase desértica. Já sem esperanças de encontrar viv'alma, uma buzina inconfundível os desperta para a realidade: -LoL LoL LoLLLLLLLLL!

Poucos metros adiante, encosta um Dodge Charger, ano 1974, em legítimo amarelo calcinha. Símbolo de potência, desempenho e esportividade, oito canecões lado a lado... À direção uma loiraça, com largo sorriso e perfume de jasmin. Ao seu lado, coberta em véus, uma figura doce e enigmática...

Yasmin: - Mr Canastrão! Mr Cara Lavada! Venham, subam na boléia...

Os dois acorreram para o bólido, mas antes que chegassem os oitos canecões sorveram, o escapamento duplo roncou, os radiais cantaram, derraparam e o amarelão saiu em disparada... No chão, um cartão cuidadosamente recolhido por Mr Almost, continha os dizeres, em código indecifrável: T.P.M.

Mr Almost: - Será que a garupa era a... como se chama mesmo?

RM: - Sei lá, Portuga. Acho que tô completamente cegueta...



sexta-feira, 3 de outubro de 2008

RESULTADOS DA ENQUETE SOBRE VASECTOMIA EM BH

Entre as muitas inutilidades da web, a ferramenta de enquetes instantâneas parece ser daquelas que pior são usadas. Lamentavelmente, pois teria tudo para constituir-se em instrumento de interação dos mais interessantes. Temas desimportantes, perguntas e opções mal formuladas e certa preguiça ou temor do leitor-usuário relegam o gadget a papel, creio, tendente a extinção.

Isto parece ainda mais verdadeiro no âmbito dos blogs. Meu amigo Marcos Rocha e eu mesmo tivemos alguma experiência com a ferramenta lá no PG. Com várias centenas de leitores diários, nunca se conseguiu por lá mais que 2 ou 3 dezenas de votos nas enquetes apresentadas. Considerando-se que os leitores que fazem comentários constituem uma ainda mais reduzida minoria, perde-se a chance de conhecer melhor o perfil dos leitores do blog.

Mesmo com pouca participação, usarei a ferramenta aqui, sempre que puder. Acho que se presta muito bem para chamar a atenção para temas secundários ou conjunturais e indicar preferências do público leitor. Devo dizer, aos que tem algum tipo de temor de serem identificados, que o blogueiro ao utilizar a ferramenta não tem qualquer controle sobre a identidade dos votantes (e sim, é possível sacanear o blogueiro, votando mais de uma vez, desde que com IPs diferentes. Fiz muito isto lá no PG... rsss).


Bem, sobre esta primeira enquete, tomei conhecimento da notícia, poucos dias atrás, através de um telejornal matinal. Uma matéria mais completa pode ser encontrada no portal do jornal O Tempo (vulgo The Times), de Belo Horizonte, onde trabalha a jornalista e blogueira Ana Paula Pedrosa (vulga AP). Link aqui.

Achei curiosa e improvável a notícia, daí dispor-me a formatar uma enquete, ainda que em tom de brincadeira. Afinal, que peculiaridade poderia explicar esta preferência dos mineiros pela vasectomia, conhecidos pelo conservadorismo e mesmo certo machismo? A explicação oficial é a de que um programa de saúde pública (PSF), criado nos moldes do "médico da família" cubano, seria o responsável por uma maior conscientização dos casais acerca dos métodos anticoncepcionais. Duvido muito: só existe este programa em Belo Horizonte? E por que uma eventual conscientização sanitária não extrapolou para outros índices de saúde?

Nossos votantes (40%) preferiram a explicação de que é o único jeito do tradicional machão mineiro ter certeza quanto à origem de sua prole. Não descartaria de todo essa hipótese, conhecendo o caráter desconfiado dos mineiros...

Outros 30% apostaram que é porque mineirim que se preza come quieto mesmo. Uia!

Dois sacanas (20%) sugeriram que o autor do blog também deveria fazer. Aposto que foi o Mr Almost, que votou duas vezes... Pô, já falei que não se mexe em time que está ganhando!

Apenas um solitário votante (10%) coincidiu com minha opinião: não tenho elementos concretos (senão denunciaria aqui mesmo) mas acho muito mal explicada essa "preferência mineira" e não duvidaria muito se os números não subsistirem a uma boa auditoria.

Por fim, gostaria de sugerir ao meu amigo decanão MR, que postasse enquete, ainda hoje se possível (e valendo até domingo antes da votação), sobre a eleição paulistana. Como será que votam as centenas de leitores paulistanos do PG?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ESCOLHA A SUA TPM


O que entendo desse assunto? Nada, absolutamente nada! Sequer tive na vida o azar de cruzar (no bom sentido, claro) com alguma mulher que tivesse intensos sintomas da síndrome. Mas os reconheço, facilmente, na maioria das mulheres com as quais já convivi.

Motivou-me escrevinhar sobre o tema, matéria publicada na edição 2071 de VEJA e, mais especificamente, a diferença de visão entre os sexos, quanto aos efeitos desse evento, tão natural quanto regular e freqüente, na vida delas... e deles.

Vejamos: segundo “pesquisa” publicada pela revista, enquanto 54% delas disseram que a TPM interfere nos relacionamentos amorosos, foram 85% os homens que assim se pronunciaram. Quanto às relações familiares, 48% contra 77%. No ambiente de trabalho, 46% contra 72%¨. E nas atividades sociais, 43% contra 69%, sempre respectivamente. Segundo elas, 76% das mulheres ficam nervosas, 35% predispostas à brigas e 16% perdem o controle. Para os homens os números são, respectivamente: 94, 85 e 52%.

Tirantes aspectos metodológicos e de mérito, ou as mulheres subestimam o estrago ou os homens superestimam seus efeitos ou ambas as coisas ocorrem. Mesmo nesse último caso, as diferenças de percepção são muito pronunciadas para tenderem para um mesmo patamar. As mulheres estão relativamente tranqüilas; os homens, verdadeiramente apavorados (praticamente todas ficam nervosas e metade delas perde o controle, segundo sua percepção)...

Bem, navegando sobre o assunto, descobri um teste online, publicado pela mesma revista, há cerca de um ano atrás (link aqui). A tipologia se desdobra em 4 perfis (as irritadas, as inchadas, as compulsivas e as choronas) e 3 graus de intensidade (leve, moderada e alta).

Espero que as gatas da confraria e suas leitoras façam o teste e nos contem aqui os resultados, mas vou arriscar alguns palpites:

  • Acho que a Luciana G e a Patty talvez sejam do tipo “choronas”, mas de leve intensidade;

  • A Maroca, leve e solta, simplesmente não deve ter TPM (além disso, como ela é “leve” e “alta” não se teria como definir a intensidade, caso ela sofresse desse mal);

  • A Elianinha , com toda a poesia e lirismo transbordantes, acho que vira o bicho, digamos, “moderadamente irritada”;

  • Acho que deve ser o mesmo caso da Srta. Rosa, com o agravante de que esta deve atirar primeiro (e de AR-15) e perguntar depois;

  • A K parece ter toda a pinta de ser “altamente compulsiva”;

  • A Amèlie... Bem, a Amèlie... Vocês já ouviram falar nas múltiplas utilidades do picador de gelo? Hã?
(Putz, tô fu, dessa vez elas acabam comigo... em compensação fico livre da merda desse blog)
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ATUALIZAÇÃO (03/10/08 às 11:10 hs)
Amigos leitores, a blogueira Amèlie, dona do mais doce e enigmático recinto da confraria (quiçá de toda a blogosfera), acaba de fazer um comment-post sobre o assunto em questão. Imperdível!!!