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domingo, 20 de março de 2011

"Pega, mata e come"


Entre tsunamis, inflação descontrolada, guerras e emergência atômica - o assunto da semana na twitteresfera brasileira foi o "blog milionário" da cantora baiana Maria Bethânia. A notícia (leiam aqui) provocou candentes e apaixonadas reações, a maioria contrária ao projeto e até mesmo hostil à artista (veja-se, por exemplo, aqui e aqui).

Não tenho qualquer predileção pela cantora em questão, apesar de reconhecer seu talento e merecido sucesso (aquiaqui se alguém desejar saber o que penso das cantoras brasileiras), mas sinto que, bode expiatório, tem sido vítima de linchamento moral e "macarthismo" e de ambos os lados do espectro ideológico. A mim me incomodam mais as críticas que vem dos setores incrustados no aparelho do estado desde 2003, sobretudo porque, demagógicas, buscam alcançar objetivos inconfessáveis (essa turma ligada à "cultura" já havia sido objeto de duras reprimendas deste bloguinho aqui e aqui).

Creio que o grosso das críticas decorre de vasta desinformação ou ignorância dos mecanismos legais utilizados para financiar projetos culturais no Brasil. O ponto de inflexão é o governo Collor: antes dele um conjunto de mecanismos estatais (Fundos, empresas e outros organismos estatais do setor cultural) de apoio; depois a chamada Lei Rouanet - entre os dois um vácuo que praticamente extinguiu as atividades culturais no país... Qual era a lógica? O que era estatal era considerado ineficiente, caro e corrupto. Deveria, pois, ser substituído pelo setor privado. O mecanismo pensado para fazer essa substituição foi a lei que ganhou o apelido do importante intelectual (Rouanet); através de incentivos fiscais às pessoas físicas e empresas que investissem em cultura. A idéia-chave era entender a cultura como atividade econômica e usar o marketing cultural como chamariz para as empresas.

Ao longo dos últimos 20 anos este foi o mecanismo responsável por financiar cerca de 70% de toda a atividade cultural brasileira (o resto, cerca de 30%, é financiado diretamente pelo governo) em âmbito federal. Significa algo como R$ 1 bilhão por ano. É, portanto, um estrondoso sucesso! Tanto que a experiência repetiu-se em escala estadual e municipal. Será que há imperfeições na lei? Certamente! Será que houve desvio de propósitos ao longo dos 20 anos de existência do mecanismo? Muito provavelmente! Mas o que revela a repercussão do caso Bethânia vai muito além da chamada "crítica construtiva". De um lado os velhos opositores da influência do mercado no setor cultural; estes que, ao longo dos últimos 8 anos, tentaram sem sucesso (e por incompetência) acabar com a Lei Rouanet. De outro, setores contrários ao atual governo, que vêem no episódio uma chance para tirar uma "casquinha", sem atentarem para o fato de que fazem o jogo dos que endeusam o Estado...

O que está em questão não é o mérito da cantora, nem muito menos o seu projeto um tanto canhestro. O que está em questão é o financiamento da atividade cultural com alguma interface com o setor privado ou inteiramente dependente do Estado. Não há outras alternativas colocadas à mesa. Nesse caso eu me alinho aos que defendem o mecanismo de incentivo fiscal em detrimento da ingerência estatal.


Passemos então às principais críticas apresentadas que, repito, derivam basicamente da desinformação, demagogia ou má fé de seus autores. Considero que a grande maioria se enquadra no primeiro aspecto; deixarei claro quando não for o caso:

1. A cantora, bem sucedida, não precisaria de incentivos
A premissa é falsa, a lei não distingue entre bem ou mal sucedidos; vale para todos, democraticamente. Imagino que quem compartilhe desse argumento também concorde que os "ricos" não tenham devolução do imposto de renda, afinal eles "não precisam"...

2. A famosa cantora compete com novos "talentos"
Esta a idéia central que norteou a (falta de) política cultural nos anos Lula e o argumento da mais pura má-fé! O mercado (leia-se a Lei Rouanet) só se interessaria por gente famosa. do eixo centro-sul. Bethânia representa bem o estereótipo. Mas quem deve dizer o que é um "talento"? O governo ou o mercado? Por que um empresário (ou empresa) financiaria um projeto definido pelo governo e não por ele? E por que haveria de financiar o "grupo de forró de Quixeramobim" ao invés da cantora de primeira linha?

3. O dinheiro é "público"
Aqui, além da desinformação, há clara conotação demagógica. Em primeiro lugar ele só seria público se fosse efetivamente recolhido aos cofres e não há nenhum motivo concreto para supor que o fosse. O sistema tributário mais escalafobético do planeta permite um sem número de manobras e jeitinhos que até criou uma nova ciência: a administração tributária. Segundo, a renúncia não é da totalidade dos recursos empregados, mas de 40% das doações e 30% dos patrocínios (uma simpática leitora corrigiu-me quanto às variações da lei - vejam abaixo no comentário de Lana Coluccine), sempre restrito ao limite de 4% do imposto devido (no caso de pessoas jurídicas). Terceiro, esses recursos competiriam com outras demandas mais "nobres": educação, saúde, moradia... Ora, os recursos totais da Cultura representam algo em torno de 1% do Orçamento Federal... Mas o mais curioso: por que não reclamam com a mesma ênfase dos recursos subsidiados pelo Tesouro e emprestados pelo BNDES à grandes empresas? Esses são públicos mesmo!

4. Em outros países a cultura gera impostos ao invés de consumi-los
Apenas nos EUA isto é parcialmente verdadeiro; em todo o resto do planeta - inclusive nos países mais ricos e desenvolvidos - a cultura depende, em grande medida, de subsídios diretos ou indiretos. E desde sempre: basta lembrar da estreita relação entre arte e poder ao longo dos tempos. Por exemplo, não fossem os mecenas (e a Igreja) e a Renascença ainda estaria por acontecer... 

5. Há falta de "critérios"
Variação pretensamente sofisticada do argumento 2 acima, busca uma cartilha para o eminentemente subjetivo: o que e quem deve merecer incentivo! Não há resposta para a questão; a lei, democrática, deve ter validade universal e quem define o mérito é quem financia o projeto, garantidos (aí sim) os critérios técnicos e legais correspondentes. Ora, da forma como está é o mercado quem escolhe, depois do aceite técnico do Minc. Foi o que ocorreu com o projeto da cantora e com outros milhares que devem também ter sido aprovados nesse período...

6. Os valores requisitados são "absurdos"
Aqui uma inversão na relação de causalidade. Parte-se do pressuposto de que o projeto esconde algum tipo de fraude ou malversação. Se a Comissão Avaliadora aprovou é ela quem deve se responsabilizar pelos termos da aprovação. E se houver, de fato, algum tipo de fraude ou malversação, compete aos mecanismos de controle estatal (Ministério Público, Tribunal de Contas, Controladorias, etc.) fazerem o seu trabalho. Isto é muito diferente da rejeição subliminar do projeto!

7. O mérito do projeto é discutível 
O fato de o projeto cingir-se a uma mídia virtual e versar sobre poesia parece ter tido forte impacto na reação dos críticos. Voltamos aqui ao âmbito subjetivo do valor artístico: aparentemente as pessoas valorizam pouco o tema e o formato (eu mesmo usei nesse bloguinho a expressiva voz da cantora recitando os versos de Pátria Minha, de Vinícius de Morais: aqui) . Ora, o mercado (financiador e consumidor) rejeite o projeto e estamos conversados...

8. Há jogo de cartas marcadas e concessão de privilégios
Não há o que discutir: faça-se a denúncia formal ou cale-se o bico! De todo modo ficará bem mais fácil armar novos jogos de cartas marcadas e farta distribuição de privilégios, se a coisa se resolver apenas no âmbito do governo. Sem falar no risco efetivo de controle da liberdade de consciência e expressão!


Há também os que defendem a cantora e seu projeto, mas mesmo estes o fazem com ressalvas à lei de incentivo cultural, considerando-a um estorvo ou uma humilhação à qual estariam submetidos os "artistas". A Lei Rouanet virou, de repente, a Geni da música, recebendo bordoadas de todos os lados. Seus algozes assemelham-se um pouco ao carcará (Polyborus plancus), também conhecido como águia-brasileira. A rigor não é propriamente uma águia, mas um falcão. No entanto, diferentemente deste, não é um predador especializado e sim um generalista e oportunista. Na verdade está mais para urubu:

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DIREITOS HUMANOS, ABORTO E CASAMENTO GAY

OU O CRIOULO DO SAMBA ESTÁ CADA VEZ MAIS DOIDO...




Acaba de ser lançado em Brasília o Programa Nacional de Direitos Humanos 3, com a presença de Dilma e Lula, para variar... Entre os aspectos que definem a linha do programa estão alguns bastante polêmicos: a) a defesa do projeto de lei do casamento gay; b) a liberação do aborto; c) a proibição do uso de símbolos religiosos nos imóveis públicos; e, d) a criação de um grupo para investigar crimes de tortura ocorridos no período do regime militar (mais aqui e aqui).

Menos que uma questão de consciência - afinal todos podem ter opiniões sobre esses temas - chama a atenção o reiterado desprezo dos representantes do atual governo pelos mecanismos de mediação democrática. Querem sempre ganhar no grito - ou na marra. Não precisa ser muito perspicaz para reconhecer que, em todos os aspectos citados, a maioria da sociedade brasileira está distante (ou mesmo contrária) das posições assumidas no programa.

E mais: propostas como estas fazem parte de um rol de posições políticas (ou "palavras de ordem") identificadas com as esquerdas brasileiras (também com as de outros países), das quais seus representantes não abrem mão nem mesmo quando estão no poder e praticam políticas e alianças com setores dos mais conservadores.

Creio ser mais uma manifestação do esquerdismo doentio e sem conteúdo que cultivam, como são também exemplos as posições defendidas em relação aos meios de comunicação, que fiquei de tratar desde a última postagem... Ah, a candidata oficial tirou a peruca, como podem ver na foto da solenidade de lançamento do programa. Agora falta só tirar a máscara...
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

THE NEXT STEP (1)

A REPÚBLICA BOLIVARIANA DO BRASIL




Para os simpáticos leitores portugueses desse chalezinho: MERCOSUL é o nome dado ao bloco econômico sul-americano, integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Foi fundado em 1986, pelos dois primeiros países, recém saídos de longo período autoritário. Pode-se afirmar, inclusive, que a garantia (mútua) de instituições democráticas nos dois países era um de seus principais objetivos.

Ao longo desses vinte e poucos anos o bloco alternou bons e maus momentos, de acordo com a conjuntura econômica internacional, e não consolidou instrumentos mínimos de integração econômica. A cada crise interna de um de seus membros (ou ainda as repetidas crises externas) cogitou-se da dissolução do bloco. A disparidade econômica entre os países-membros é outro fator que pesa no equilíbrio instável dos protocolos e acordos. Mas do ponto de vista político é forçoso reconhecer que o bloco é um sucesso: nos 4 países, de longo e comum histórico de golpes e quarteladas, prevaleceram as instituições democráticas.


O resto da América do Sul e a América Central e o Caribe

De modo geral - sobretudo depois da derrocada do mundo socialista - pode-se dizer que processos similares de redemocratização ocorreram no restante da América Latina, exceto em Cuba. E também que as crises econômicas (principalmente as decorrentes do endividamento externo) atuaram como complicadores. Mas também mantiveram-se, guardadas as diferenças históricas e culturais, os instrumentos mínimos do "estado de direito": garantias individuais, eleições livres, liberdade de imprensa, etc.

A presente década viu nascer fenômeno inteiramente novo: a chegada das esquerdas tradicionais (de viés socialista) ao poder político, pela via da legalidade. Estes são os casos do Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e vários países centro-americanos. Na Venezuela o caminho foi o golpe de estado. Mas exceto no Brasil e no Chile as novas forças políticas tem projetos claramente autoritários. Em geral começam por mudanças legais (no âmbito constitucional) que facilitam a perpetuação dos governos (através de sucessivas reeleições) no poder mas, via de regra, acabam desembocando no fortalecimento do Estado (e, dentro dele, do Poder Executivo) e no atentado aos direitos e garantias individuais. Populismo de esquerda parece definir bem a ideologia e Chavéz é o modelo mais bem acabado.


O MERCOSUL e a Venezuela

Ontem o Senado brasileiro votou pela admissão da Venezuela no bloco econômico. O processo se alongou por vários meses e provocou constrangimentos diplomáticos de parte a parte. Não houve negociação política e a bancada de apoio ao governo tratorou a oposição, vencendo por 35 a 27 votos.

Os principais argumentos utilizados pelos que defenderam a Venezuela foram de caráter econômico, dada a progressiva importância desse país no superávit externo brasileiro. Às críticas de que se fortalecia, com a admissão, um governo autoritário; respondeu-se com a tese de que abandonar o país vizinho em nada contribuiria para mudar esse quadro.

Minha opinião: do ponto de vista econômico a Venezuela, mas não só ela - também o Uruguai, o Paraguai e mesmo a Argentina; tem pouca contribuição a dar ao Brasil. A economia brasileira é, de longe, maior, mais sofisticada e mais dinâmica que todas as outras juntas. Nesse caso o Brasil é o "primo rico" e, como tal, quem deveria contribuir para o crescimento dos demais. Do ponto de vista político o resultado parece ser bem mais grave: Chavéz ganha legitimidade e um palanque e não haveria como contestar países-membros que se arvorassem a trilhar caminhos análogos aos da Venezuela.

Em outras palavras: aparentemente foi dado o golpe de misericórdia no MERCOSUL, já que é elementarmente impossível integrar economias (e países muito menos) fundadas na interferência arbitrária dos governos, sem a menor segurança jurídica, além da ausência de mecanismos de política econômica necessariamente comuns.


Ora, mas por quais razões o atual governo brasileiro apoiou a Venezuela, se pouco ou nada tem a ganhar? Não consigo encontrar outra resposta que não a de que compartilha com aquela muito de sua visão de mundo, de Estado e de organização da sociedade: Lula é um populista de esquerda como Chavéz, o Brasil que, felizmente, é diferente da Venezuela...

(Na continuação explicarei que a entrada da Venezuela no MERCOSUL, a conferência de comunicação ora em realização no Brasil e a ressucitamento da tese da "constituinte exclusiva" são faces de um mesmo processo de "venezuelização" do Brasil...)
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

LEVANDO FUMO

Em homenagem ao meu amigo Marcos Rocha, completamente desaparecido daqui mas, espero, ainda meu amigo...



  1. O presidente do Conselho de Ética do Senado Federal, senador Paulo "Fredy Krugger" Duque, conforme esperado, engavetou todas as representações contra o presidente daquela casa, senador José "me dá o meu, zebedeu" Sarney. Mas aceitou a apresentada contra o senador oposicionista Arthur Virgílio, pelo líder do PMDB, senador Renan "cangaceiro de terceira" Calheiros. Como diria el Rey: esse aí sifu!
  2. Na CPI chapa-branca da Petrobrás, o relator e líder do governo, Romero "me dá o meuzinho, zebedeuzinho" Jucá recusou-se a tratar do caso Petrobrás-Fundação José Sarney. Claro, esse escândalo mereceria outra CPI...
  3. Em Sampa o governador José "bunda-mole factóide" Serra, finalmente arranjou um jeito de aparecer na mídia, proibindo fumar até escondido no banheiro. Claro, uma questão de saúde pública... Enquanto isto o estado de São Paulo bate recordes de casos de contaminação e morte pela gripe suína... Será que Lula "fumante e bebum inveterado" da Silva gostou?
  4. A propósito deste último, suponho que tenha ficado satisfeito com os termos utilizados por dois de seus maiores aliados, o referido líder do PMDB e outro senador pelas Alagoas, Fernando "nóia" Collor. Afinal, agora generalizou-se falar merda!





ATUALIZAÇÃO (09/08/09 às 11:40 hs.)

Prometi um postinho à parceirinha Udi Tarora, sobre a famosa "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias, mas tá meio encruado, acho que ainda demoro um pouquinho... Enquanto isto, vai aí a Canção do Exumo:

Meu Senado tem Calheiros
Tem Sarney e tem Jucá
Os urubus que lá passeiam
Servem todos a Lula-lá

A esse bando de estertores
Só faltava mesmo somar
Em troca de quais favores
Sabe-se lá...
Um ex-presidente cassado
Por levar caraminguá

Meu Senado tem estupores
Tem gangrenas, podres há
Mas pululam rumores
Que de todos os fedores
O pior que restará:
Não serão crimes piores
Os do presidente gambá?
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terça-feira, 9 de junho de 2009

PETROBLOG


O petróleo é deles... Ou serão as cachacinhas do Bracutaia?

Claro que não vou ficar fora dessa confusão...

É o seguinte: acuada pelas cada vez mais escabrosas denúncias de ilegalidades, supostamente cometidas pela estatal, a direção da Petrobrás resolveu contra-atacar, do mesmo modo que fazem os ratos quando acuados. Criou um blog (vejam aqui), através do qual espera esvaziar eventuais denúncias e intimidar jornalistas e órgãos de imprensa. A Associação Nacional de Jornalismo (ANJ) protestou, no que foi seguida pela maioria dos veículos brasileiros (leiam aqui e aqui).

Mas é óbvio que a empresa tem o direito de criar o blog e, inclusive, de "cometer" uma nova forma de jornalismo, corporativista e aética. O que não tem é o direito de fazer campanha política, em favor da candidata oficial e política partidária, em favor de seu atual presidente, um professor de economia da Universidade Federal da Bahia, sem nenhuma experiência prévia até ser guindado à estatal pela via partidária. Porque, nesses casos, comete mais duas ilegalidades.

Ah, ia me esquecendo, também utiliza-se da censura para alcançar seus objetivos: fiz um comentário no blog da empresa, hoje, às 11:39 hs. e ele não foi publicado até agora. Será que o consideraram ofensivo? Tirem suas próprias conclusões:

rm Disse: O seu comentário está aguardando moderação.
Junho 9, 2009 às 11:39 am | Responder

Jornalismo chapa-branca é coisa velha no Brasil. Mas jornalismo chapa-branca, monopolista e sem licitação é novidade… rss


Meus pêsames; não pela iniciativa do blog (acho até interessante), mas pela qualidade do que está sendo aqui publicado e debatido.


Por fim, informo aos autores do blog que, se desejarem comentar nesse chalezinho, não serão censurados...



ATUALIZAÇÃO (10/06/09 às 12: 05 hs.)

Às 22:17 do dia 09/06/09 foi feita nova tentativa de postar um comentário no referido blog. Dessa feita o comentário sequer foi salvo para posterior "moderação", ou melhor, censura!

Abaixo cópia da tentativa:

Solicito as seguintes informações aos redatores do blog:

1) O critério para a publicação de comentários é o seu teor preboste, capacho e áulico?

2) É política editorial do blog o uso da censura de comentários que não se enquadrem nas categorias anteriores?

3) Qual é o valor das remunerações dos redatores do blog?


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quinta-feira, 5 de março de 2009

DITAMERDA

OU MVM (MOVIMENTO DOS VÃO À MERDA)

Amigos(?) leitores(?) [rss],

é sobre essa recente polêmica, criada a partir de um editorial da Folha de São Paulo, que chamou de "ditabranda" o regime militar de 64. Confesso: nem sabia da tal polêmica até ler ótima resenha do meu amigo Marcos Rocha (leiam aqui), há pouco mais de meia hora. E, fato é, que existe lista de assinaturas e manifestação de repúdio marcada para acontecer em frente à sede do jornal.

Mas, afinal, que merda é esta? Explico, como se vocês tivessem seis aninhos (como diz certa blogueira... rss):

1) Um idiota qualquer, do corpo de editorialistas da Folha, cunhou o termo.

2) Houve muitas manifestações contrárias, em cartas dirigidas à redação do jornal, que as respondeu com a habitual e conhecida arrogância jornalista.

3) Um caboclo chamado Eduardo Guimarães (vejam aqui), sobre o qual não tenho (nem quero ter) nenhuma informação biográfica, mas sei que preside uma (picaret)ONG chamada "MSM - Movimento dos Sem Mídia"; propôs e encampou a ideia do abaixo-assinado e do protesto em frente ao jornal.


E o kiko? Ora, ora, já é a campanha presidencial nas ruas! De um lado (paulista) um bando de esquerdóides rastaqueras ligados, de algum modo, ao governo e ao PT; de outro gente (também paulista), igualmente desqualificada, ligada ao PSDB e ao DEM. No meio, a apreciação pelo Supremo, das ações (patrocinadas oficialmente pelo governo) que discutem a constitucionalidade da Lei de Anistia. Está criado mais um factóide, reforçando as duas candidaturas já postas.

Mas o país não é só São Paulo, apesar de sua óbvia importância. Nem a questão da "revisão" da Lei da Anistia tem qualquer relevância a esta altura do campeonato. Seguinte, proponho a criação do MVM: vamos mandar à merda esse bando de gente (paulista) à toa!


ATUALIZAÇÃO (06/03/09 às 15:00 hs.)

Recomendo vivamente nova postagem sobre o assunto, feita por Marcos Rocha (leiam aqui). Apesar de não concordar integralmente, chamo a atenção para o aspecto de que sua postagem "fura" grande parte da imprensa tradicional ao defender a tese de que, a rigor, a FSP não mudou muito sua ótica a respeito do regime militar.

Outra discordância que mantenho é a de não me sentir representado por muitos dos que protestaram publicamente e fizeram coro e número no abaixo-assinado. Como se defensores do estado de direito e do regime democrático fossem figuras que, ainda hoje, apóiam a ditadura cubana e os projetos de ditadura na Venezuela e na Bolívia, entre outras banana republics. Sinto que há uma usurpação de uma bandeira que não é deles.

Finalmente, quero enfatizar o absurdo grau de leviandade que é politizar (partidariamente) a questão da anistia no Brasil.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

POLITICAMENTE ESTÚPIDO OU ESTUPIDAMENTE CORRETO?

Ok, não se deve mais chamar crioulo de crioulo nem negão de negão. O "correto" agora é afrodescendente. Ué, e os do norte da África, de origem árabe? E, afinal, não descendemos todos dos habitantes paleolíticos daquele continente?

Recentemente, comentei a comemoração do "Dia da Consciência Negra" no PG do MR (leiam aqui). Minhas opiniões estão lá registradas; continuo achando que discutir-se o papel da Princesa Isabel ou de Zumbi dos Palmares depõe contra a inteligência dos movimentos negros no Brasil. Discute-se assim, o acessório, o trivial, o chamado politicamente correto. Praga dos nossos tempos, nos obriga a chamar um negão de afrodescendente; mas não de deixar de discriminá-lo na escola, no trabalho, na vida... E um sujeito de origem alemã? Como seria politicamente correto chamá-lo?

Quero dizer que me repugna e enoja o preconceito e a discriminação, especialmente quando deriva das diferenças chamadas raciais. Mas não posso concordar com aqueles que acham que basta mudar palavras para mudar comportamentos. Uma palavra é uma palavra; uma agressão (ainda que verbal) é uma agressão. E uma agressão verbal é muito diferente de uma agressão moral (ainda que verbal) ou física.

Há intolerância, das mais variadas origens, no Brasil? Há. Há racismo no Brasil? Certamente há. Há mais tolerância e menos racismo que em outras partes do mundo, especificamente naqueles locais que tiveram colonização escravista de raiz africana? Também isto é verdade e não vou destrinchar longa referência bibliográfica porque não faria sentido neste espaço. Mas creio que todos conheçam...

O que não posso concordar é que mudanças de terminologia sirvam para algo mais que atualizar dicionários. E, mais grave, que a consciência e a palavra sejam policiadas por quem quer que seja, discriminado ou discriminador, oprimido ou opressor.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

"SALVEM AS BALEIAS"

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Ontem a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal aprovou parecer da senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), recomendando a aprovação de projeto de lei, de autoria do senador Gerson Camata (PMDB-ES), que dispõe sobre a proibição de modelos muito magras nos desfiles de moda e na publicidade em geral.
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Meu Deus, quanta ciência, tecnologia, inovação... O senador, conhecido como marido da gataça Rita Camata, quer estabelecer um índice de massa corporal mínimo, abaixo do qual as magrelas não vão mais poder trabalhar nas áreas afins. Já imaginaram? Aquelas mocinhas, magrinhas, desnutridas, munidas com suas calculadoras, tendo que fazer um caralhão de contas pra saberem se podem desfilar ou não. Sacanagem, heim?
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Bem, tirando os aspectos bizarros, escalafobéticos e inexequíveis do referido projeto, ao menos servirá pra Maroca parar com essa conversa de que precisa emagrecer (e voltar às passarelas, uia!). Maroca, como dizia o Vinícius, que me perdoem as muito magrinhas, mas recheio é fundamental...
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Quanto às motivações inconfessáveis do tal projeto de lei, além do provável excesso de trabalho na Câmara Alta, fico a pensar: será que a Ritinha tá muito magrinha ou a Rosalba muito gordinha?
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[O tal projeto irá, agora, à apreciação da Comissão de Assuntos Sociais, seguindo sua tramitação. Aqueles que quiserem maiores informações, os e-mails dos respectivos senadores são: gecamata@senador.gov.br; rosalba.ciarlini@senadora.gov.br]


Pra que emagrecer mais, Maroca?