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domingo, 7 de junho de 2009

MÚSICA E POESIA (3)

"Sou do mundo, sou Minas Gerais"




Fernando Brant formou com Ronaldo Bastos (leiam aqui post anterior dessa série) e Márcio Borges o trio responsável pela maioria das letras do chamado Clube da Esquina (vejam aqui o site "oficial" do Clube). Foi o parceiro mais frequente de Milton Nascimento, com quem compôs mais de duzentas de um total de cerca de trezentas canções gravadas.

Nascido na pequena Caldas, no sul de Minas; filho de juiz, morou também em Diamantina, antes de vir para Belo Horizonte. Do tempo de Diamantina são testemunhos Paisagem da Janela (Lô Borges/F. Brant), Beco do Mota (M. Nascimento/F. Brant) e Paixão e Fé (Tavinho Moura/F. Brant), entre outras. Ainda estudante secundarista, conheceu Bituca em 1965, que encomendou sua primeira letra em 1967: simplesmente Travessia (M. Nascimento/F. Brant), talvez a mais importante canção feita na Minas contemporânea... Formou-se em Direito e trabalhou desde jovem como jornalista, inicialmente na revista O Cruzeiro: Durango Kid (Toninho Horta/F. Brant) fala desse tempo. Em 1975 escreveu o roteiro e as letras das músicas do espetáculo Maria Maria, que lançou o grupo mineiro de dança, O Corpo, para o mundo. Na década de 1980 dirigiu a rádio estatal mineira Inconfidência FM, quando inovou tocando, exclusivamente, música brasileira. Ainda hoje assina uma ótima coluna semanal no jornal O Estado de Minas, da qual é uma coletânea o livro O clube dos gambás (aqui para uma rápida biografia e aqui para um resumo de sua obra).

De longe o mais mineiro dos letristas, dialogou com a poesia de Drummond e expressou os sonhos de sua geração, assumindo em suas letras a luta pela redemocratização do país; como, por exemplo, em Sentinela, Coração Civil, Menestrel das Alagoas e Carta à República (todas em parceria com Bituca). Dono de versos simples; "palavras boas de cantar"; poeta que deu nome de gente a jipes e cadelas; de cidades onde "as mulheres são morenas, os homens serão felizes como se fossem meninos"; menestrel da amizade; "para a moça: flores, janelas e quintais"; cantor das marias de Minas, em "dose mais forte e lenta"... Lirismo puro!

Das dezenas de letras que selecionei, escolhi Canções e Momentos (Milton Nascimento e Fernando Brant):

Há canções e há momentos
Eu não sei como explicar
Em que a voz é um instrumento
Que eu não posso controlar
Ela vai ao infinito
Ela amarra todos nós
E é um só sentimento
Na platéia e na voz
Há canções e há momentos
Em que a voz vem da raiz
Eu não sei se quando triste
Ou se quando sou feliz
Eu só sei que há momentos
Que se casa com canção
De fazer tal casamento
Vive a minha profissão


Na voz de Bituca, a verdadeira "The Voice": Encontros e Despedidas, Beco do Mota, Maria Maria, Canção da América, San Vicente, Itamarandiba, Travessia (todas em parceria com Bituca) e Durango Kid (T. Horta/F. Brant). Com o Boca Livre, Diana (T. Horta/F. Brant) e Ponta de Areia (M. Nascimento/F. Brant). Com o 14-Bis e Samuel Rosa, Bola de meia - bola de gude (M. Nascimento/F. Brant). Na linda interpretação de Nana Caymmi, Fruta Boa (Sueli Costa/F. Brant). Com Beto Guedes, Maria Solidária (M. Nascimento/F. Brant). Numa bela versão com Monica Albuquerque, Manuel, o Audaz (T. Horta/F. Brant). E com os Paralamas do Sucesso, Feira Moderna (Lô Borges/Beto Guedes/F. Brant).